O ministro da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde, Abraão Vicente, anunciou na Cidade da Praia, que este ano, devido à pandemia da Covid-19, o Festival Morabeza Festa do Livro “será num formato muito menor”.

O ministro fez este anúncio à margem da cerimónia de apresentação do livro infantil adaptado para Braille “Tufas, princesa crioula – aprendendo as palavras mágicas”, de Odair Varela, na sala de conferências da Biblioteca Nacional.

“Este ano, devido à pandemia, provavelmente uma das actividades maiores que tem marcado o ano literário em Cabo Verde, que é o Festival Morabeza, será num formato muito menor”, disse Abraão Vicente, completando que se vai, entretanto, realizar o Morabeza no Feminino,  “que já está mais ou menos programado”..

Abraão Vicente avançou ainda que já está a ser planeado o Morabeza no Feminino, com autores residentes em Cabo Verde, numa “homenagem grande” à uma mulher, um pouco no sentido de ajudar no debate sobre o empoderamento e o papel da mulher na sociedade cabo-verdiana.

“Será um evento realizado a nível nacional, com os meios disponíveis. Teremos, com a aprovação do Orçamento Rectificativo, cortes significativos, mas nós não deixaremos de ter um sector da cultura bastante pujante”, elucida o ministro, reiterando que já existe uma lista de autoras a serem convidadas.

Abraão Vicente antevê nesta linha painéis “muito ricos” e “muito fortes”, mesmo não podendo ser este um evento de grande multidão.

Tendo em conta o actual contexto da pandemia, o governante frisou que se fala muito da música, que acompanhou as pessoas durante o período de confinamento, mas isso porque, sublinhou, os artistas, os escritores e os criadores do livro e da literatura “falaram menos do os que da música”.

“Mas com certeza, a literatura fez ainda mais companhia a todos os que estiveram em confinamento e muitos que ainda estão”, completou.

E já dentro da efeméride que hoje marca a agenda cultural, o Dia Mundial da Biblioteca, Abraão Vicente pontua que “é celebrar a biblioteca como casa dos livros, como casa depositária do saber e da criação dos povos e que,  nesse caso, o povo cabo-verdiano” não pode esquecer que o País é detentor de dois Prémios Camões, “o prémio máximo da literatura feito em português”.

“Os desafios à volta do futuro do sector da cultura e da arte passam também por uma reflexão profunda sobre o futuro do livro, sobre o futuro do livro físico e o livro digital e o futuro da própria Biblioteca Nacional como instituição promotora do livro, da literatura e dos autores”, defendeu.

Para o dia de hoje , segundo o ministro, é “fundamental” celebrar as bibliotecas, lançar outra vez o apelo às câmaras municipais para a dinamização das bibliotecas municipais, assim como o apelo às escolas para a necessidade de se manter uma biblioteca com títulos que sejam, de facto, promotores do saber e da qualidade e lançar ainda mais o desafio aos professores, que “são os verdadeiros mediadores”.

“Se o professor não conhece a literatura, não conhece o livro, não conhece grandes autores, não conhece obras clássicas de qualidade, dificilmente o aluno o saberá”, avisou.

Publicidade