De acordo com o documento, denominado “plano de contingência nacional para infeção humana pelo novo coronavírus em povos indígenas”, os casos suspeitos de covid-19 terão prioridade no atendimento em relação aos restantes pacientes, de forma a diminuir o tempo de contacto com os indígenas presentes no local.

O plano pede também que os Agentes Indígenas de Saúde e Agentes Indígenas de Saneamento recebam formações, de forma a ajudarem na consciencialização das comunidades sobre as medidas de prevenção e controlo da doença, assim como na identificação precoce de sinais e sintomas de Síndrome Respiratória Aguda Grave.

“Os membros das Equipas Multidisciplinares de Saúde Indígena (EMSI) também devem ser capazes de compreender o fluxo dos casos suspeitos da covid-19 e adotar as medidas de proteção individual diante de um caso suspeito”, indica o documento divulgado pelo Ministério da Saúde.

De acordo com a tutela da Saúde, as orientações são “destinadas aos 34 Distritos Especiais de Saúde Indígena, responsáveis pelo atendimento a quase 800 mil indígenas aldeados em todo o Brasil”.

A maioria dessas reservas está localizada na região amazónica, onde há escassas infraestruturas sanitárias adequadas, além da falta de defesas de alguns grupos étnicos mais isolados contra certas doenças típicas dos grandes centros urbanos, situação que levou as autoridades de saúde a terem uma preocupação especial com a população indígena.

No final de março, o Governo brasileiro informou que iria manter isolados os índios não contactados da Amazónia e iria restringir os serviços de saúde ou segurança que lhes são oferecidos, numa estratégia para os manter afastados do novo coronavírus.

Comunidades indígenas de recente contacto são aquelas que “mantêm fortalecida a sua forma de organização social e dinâmicas coletivas próprias”, e têm alto grau de autonomia em relação ao Estado e à sociedade brasileira, segundo fontes oficiais.

Contudo, apesar das medidas adotadas, já há registo de mortes de indígenas em decorrência da covid-19.

Um indígena brasileiro da etnia Yanomami, de 15 anos, que estava infetado pelo novo coronavírus, morreu na noite de quinta-feira, divulgou o governo regional do estado de Roraima.

A Secretaria de Saúde de Roraima (norte do Brasil) tinha informado antes que o paciente foi admitido num hospital em Boa Vista, capital do estado, com um quadro de Síndrome Respiratória Aguda Grave e sintomas da covid-19.

No documento hoje divulgado, o Ministério da Saúde também enviou recomendações à Fundação Nacional do Índio (FUNAI), abordando, especialmente, o acesso às terras indígenas.

O ofício pede à FUNAI que adote medidas restritivas à entrada de pessoas em todos os territórios indígenas devido à vulnerabilidade das populações indígenas face a doenças respiratórias, o que aumenta o risco de agravamento em caso de contágio pelo novo coronavírus.

A tutela inclui a necessidade de quarentena para profissionais de saúde e membros da FUNAI antes do acesso a povos indígenas isolados.

Segundo o Secretário Especial de Saúde Indígena, Robson Santos da Silva, o material entregue aos gestores e colaboradores da Saúde Indígena está disponível para toda a população brasileira.

O Brasil ultrapassou hoje os mil mortos em decorrência do novo coronavírus, contabilizando 1.056 óbitos e 19.638 infetados, informou hoje o Ministério da Saúde do país.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já provocou a morte a mais de 100 mil pessoas e infetou mais de 1,6 milhões em 193 países e territórios.

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