O Ministério da Educação moçambicano disse hoje que as aulas dadas através de plataformas digitais devido ao encerramento das escolas face à covid-19 não serão avaliadas, admitindo limitações do modelo face à realidade da maior parte dos alunos.

As aulas, através das plataformas digitais, visam “apenas ocupar os alunos” durante o período de encerramento das instituições de ensino e “mantê-los dentro das matérias”, disse à Lusa Gina Guibunda, porta-voz do Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano.

“As avaliações dadas [neste período] não vão servir para a classificação dos alunos, mas para consolidar os seus conhecimentos”, acrescentou Gina Guibunda.

Desde que foi decretado o estado de emergência, a 01 de abril, as aulas têm sido dadas através da televisão, rádio e internet, mas organizações moçambicanas alertam para as limitações deste modelo, tendo em conta que a maior parte das famílias no país não tem acesso a estes meios, principalmente nas zonas rurais.

O Ministério da Educação avançou que as aulas, através destas plataformas, são para “avaliar o progresso” dos alunos, enquanto não se regressa às aulas.

“As aulas não vão determinar a nota dos alunos”, frisou a porta-voz.

O Ministério da Educação pondera prolongar o calendário escolar para “recuperar o tempo perdido”.

No reajuste do calendário escolar, “vai ser estipulado um tempo para a revisão das matérias que têm sido veiculadas através das plataformas”, avançou a porta-voz.

O ano letivo em Moçambique arrancou em fevereiro, com 8,4 milhões de alunos no sistema público, segundo informações oficiais, um aumento de 4,7% em relação a 2019.

Cerca de um milhão de alunos entrou no ensino secundário, enquanto a maioria são do ensino primário (do primeiro ao sétimo ano de escolaridade).

Moçambique tem 213 casos de infeção pelo novo coronavírus, um morto e 71 pessoas recuperadas.

O estado de emergência em Moçambique vigora desde 01 de abril, tendo sido decretado até final daquele mês e depois estendido até ao final de maio.

Durante o mesmo período, há limitação de lotação nos transportes coletivos com obrigatoriedade do uso de máscaras faciais, as escolas estão encerradas e a emissão de vistos para entrar no país está suspensa.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 350 mil mortos e infetou mais de 5,6 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Cerca de 2,2 milhões de doentes foram considerados curados.

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