O Governo são-tomense discute esta semana com os parceiros um programa avaliado em cerca de 65 milhões de euros para fazer face aos efeitos após a pandemia de covid-19, anunciou o primeiro-ministro, Jorge Bom Jesus.

“Os parceiros estão à espera deste programa para verem em que medida poderão ajudar-nos a financiá-lo. Há uma grande teia de solidariedade internacional, as instituições financeiras, e não só, estão mais sensíveis”, disse aos jornalistas o chefe do executivo de São Tomé e Príncipe.

O documento, elaborado por uma equipa multissetorial e que a Lusa teve acesso, aponta como prioritárias as áreas do turismo, hotelaria, restauração, emprego e agricultura.

O executivo pretende igualmente incentivar o empreendedorismo e outras iniciativas privadas e de caráter social que dinamizam a economia.

São Tomé e Príncipe é o único país lusófono – e um dos poucos em África – que não tem qualquer caso registado de infeção por covid-19.

As medidas de restrições impostas por vários países, incluindo São Tomé e Príncipe para combater a pandemia causada pelo novo coronavírus, levaram ao encerramento no arquipélago de todos os hotéis, residenciais, pensões e alguns serviços de restauração.

“Temos, neste momento, muitas propostas de doação de parceiros bilaterais e multilaterais, temos que preparar o antes do coronavírus, que é o processo preventivo em que nos encontramos, e temos que preparar-nos para o pior, esperando a doença, eventualmente”, disse Bom Jesus.

O primeiro-ministro deixou um alerta: “Ainda que [a pandemia] não chegue ao nosso país, não estamos imunes às suas consequências calamitosas, a nível financeiro. Por isso temos que nos preparar para o pós-coronavírus”.

O documento refere que cerca de 75 mil pessoas que representam a força produtiva do arquipélago vão precisar de ajuda financeira durante e depois da covid-19.

O primeiro-ministro são-tomense disse confiar na produção interna para dar volta aos problemas alimentares e no aumento da pobreza que, segundo o documento, “poderá crescer exponencialmente”.

“Ao nível dos vários setores, sobretudo o da agricultura e pescas, temos um potencial bastante grande e vamos criar todas as condições para a nossa autossuficiência alimentar. A natureza colocou todos os ingredientes em São Tomé e Príncipe para podermos alimentar 200 mil pessoas”, ou seja, a população são-tomense, garantiu o chefe do Governo.

Nos próximos dois meses, o Governo precisa de investir cerca de sete milhões de dólares (cerc de 6,5 milhõe de euros), distribuídos pelos setores da agricultura, saneamento, saúde e infraestrutura.

Um dos projetos previstos é o alargamento de um mercado em Bobo Forro, três quilómetros fora da capital, São Tomé, para venda de peixe e carne, com vista a descongestionar outros dois situados no centro da capital.

A equipa multissetorial que elaborou o documento refere que “há muitos setores que já estão a sofrer o impacto das medidas adotadas pelo Governo” para conter a entrada e propagação do novo coronavírus no país.

O setor aeroportuário, hoteleiro, turístico, restauração “estão a viver uma vida difícil”, reconheceu também o governante, defendendo a necessidade de “arranjar alguma almofada financeira para mitigar o sofrimento de uns e outros” com alguma urgência “para não permitir o colapso da economia” são-tomense.

O documento enaltece igualmente a necessidade de o Gverno rever todo o pacote fiscal, concedendo designadamente uma moratória no pagamentos dos impostos, as dívidas das empresas com os bancos, bem como negociar com a banca a redução dos juros.

São Tomé e Príncipe está em estado de emergência, em vigor desde 20 de março e que foi renovado, na passada sexta-feira, por um novo período de 15 dias.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou cerca de 1,2 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 63 mil.

Dos casos de infeção, cerca de 220 mil são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

O número de mortes provocadas pela covid-19 em África subiu para 360 nas últimas horas num universo de mais de 8.500 casos registados em 50 países, de acordo com a mais recente atualização dos dados da pandemia naquele continente.

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