O Governo timorense está a estudar um possível subsídio a estudantes timorenses que estão no estrangeiro e que não conseguem voltar a Timor-Leste devido às restrições em viagens causadas pela covid-19, segundo o ministro da tutela.

Em declarações hoje aos jornalistas, o ministro do Ensino Superior, Ciência e Cultura (MESCC), Longuinhos dos Santos, explicou que está a ser preparada uma proposta que permita canalizar subsídios ou outra forma de apoio a estudantes timorenses que estão no estrangeiro e não puderam voltar devido à covid-19.

O assunto, explicou, está a ser coordenado com o Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação (MNEC) e passa por determinar com certeza o número de estudantes que poderiam ser abrangidos.

Parte da análise envolve determinar ao certo quantos estudantes estão neste momento no estrangeiro já que muitos deles, especialmente na Indonésia, não estão sequer registados na embaixada, como explicou à Lusa fonte do MESCC.

A estudar no estrangeiro há três tipos de estudantes, os que beneficiam de bolsas totais ou parciais do Governo timorense, os que estão ao abrigo de bolsas oferecidas por vários países e, finalmente, os que estão a expensas próprias.

Segundo a MESCC o total de bolseiros pagos por Timor-Leste é de 775 em 24 países.

Mais complicado é saber o número total dos que estão com bolsas de outros países e, ainda mais, os que viajam para estudar pagos pela família.

No caso da Indonésia, por exemplo, a estimativa do Governo é de só na Indonésia podem estar cerca de 9.000 estudantes timorenses não bolseiros, ainda que oficialmente registados na embaixada só estejam 3.458.

Em Portugal estima-se que o número de não bolseiros ascenda a 360.

As contas do Governo indicam que nas últimas semanas terão regressado a Timor-Leste cerca de 650 dos estudantes na Indonésia e aproximadamente 50 que estavam nas Filipinas.

O que deixa um número significativo de estudantes ainda no país vizinho, algo que se nota com a crescente ‘pressão’ nas entradas na fronteira terrestre onde há restrições e onde o Governo timorense está a impor quarentena obrigatória a quem vai entrando.

O eventual pagamento de um subsídio aos estudantes poderia ajudar a reduzir essa pressão que é, como disse hoje à Lusa o porta-voz do Gabinete de Gestão de Crise da covid-19, Rui Maria de Araújo, um dos atuais fatores de risco.

Ainda que os voos comerciais para Díli estejam atualmente suspensos, centenas de pessoas continuam a chegar à fronteira terrestre que divide a ilha, com as autoridades a permitirem que alguns grupos entrem no território.

Quem entra é depois levado para locais de quarentena criados pelo Governo.

Rui Araújo diz que lidar com esta questão coloca duas alternativas, ou “suspender a entrada dos timorenses pela fronteira por um certo período, de forma a habilitar melhor o sistema” ou “melhorar as condições de confinamento obrigatório e de exames laboratoriais para os grupos de maior risco”.

Timor-Leste tem até agora um caso confirmado de covid-19.

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