A comunicação do Governo timorense sobre os dados da covid-19 em Timor-Leste ficou hoje marcada pela divulgação de informação diferente, transmitida em duas conferências de imprensa seguidas e no mesmo local.

Em causa está o número de casos suspeitos e de testes realizados pelo Laboratório Nacional, com balanços diferentes feitos pelo ex-primeiro-ministro Rui Araújo – porta-voz do Centro Integrado de Gestão de Crise, sob tutela do primeiro-ministro – e, logo a seguir, pela ministra interina da Saúde, Élia dos Reis Amaral.

A governante não explicou, aos jornalistas, se o Ministério da Saúde estava a atuar independentemente do Centro Integrado de Gestão da Crise nem justificou o balanço diferente sobre o diferente balanço, reiterando apenas que o Ministério da Saúde tem “a tutela sobre o Laboratório Nacional” e que estava apenas a transmitir os dados técnicos.

Antes, Rui Araújo comunicou aos jornalistas que Timor-Leste continua com um caso confirmado, de um total de 35 casos suspeitos. Destes, 24 deram resultado negativo e 10 aguardam-se os resultados.

Minutos depois de acabar a conferência de imprensa de Rui Araújo, entrou no mesmo local Élia do Reis Amaral, anunciando que até ao momento havia 23 casos suspeitos, dos quais houve um caso confirmado (o único até agora conhecido) e 22 testes negativos.

Os dois balanços diferentes, apresentados com poucos minutos de diferença, causaram confusão entre os jornalistas na sala.

Os dois responsáveis divulgaram os dados no Centro Integrado de Gestão de Crise, instalado pelo Governo no Centro de Convenções de Díli (CCD) local que tem acolhido as principais reuniões relativas à covid-19, incluindo as do Conselho de Ministros.

Na sua intervenção, Rui Araújo revelou ainda dados adicionais sobre o confinamento obrigatório para quem entrou no país, com 125 nas suas casa nos municípios e 138 em casa na capital.

Somam-se a esse número um total de 71 em quarentena em instalações do Governo nos municípios e 701 em instalações idênticas na capital timorense, para um total em todo o país de 1.035 pessoas.

Rui Araújo pediu à população timorense, aos líderes comunitários e à polícia para informarem as autoridades de saúde casos de pessoas que tenham entrado na comunidade provenientes de países afetados pela covid-19.

 “Por favor contactem as autoridades de saúde e policiais e tentem convencer essas pessoas a entrar em quarentena em instalações preparadas pelo Governo, tenham ou não sintomas”, disse.

“Devem estar em quarentena, para estar em segurança. Ficarão assim sob observação de profissionais de saúde e, caso surjam sintomas, serão feitas análises”, referiu.

Questionado pela Lusa sobre a atual situação de dengue e de doenças respiratórias no país, que poderiam estar a esconder eventuais casos de covid-19, Rui Araújo disse que as autoridades estão atentas.

“Tem de facto havido um aumento de casos de problemas respiratórios agudos, confirmados como influenza e de dengue. Mas porque o seguro morreu de velho todos os suspeitos, particularmente que indicam sintomas de infeção respiratória aguda e têm história de viagens ou de possíveis contactos terão que ser examinados no laboratório”, disse.

Rui Araújo adiantou também ainda que já entraram no país cerca de 2.500 timorenses de um número estimado de até 9.000 que estavam na Indonésia e que estão ainda por regressar muitos timorenses na Austrália, a maioria em programas de trabalho sazonal.

Timor-Leste está em estado de emergência desde sábado.

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