A Guiné-Bissau conseguiu um alívio da dívida ao Fundo Monetário Internacional (FMI) de cerca de 4,5 milhões de euros, disse hoje à Lusa o ministro das Finanças do Governo que está no poder no país.

João Fadiá explicou que foi conseguido um alívio da dívida, referente a 2020, de cerca de três biliões de francos cfa (cerca de 4,5 milhões de euros).

O FMI anunciou na segunda-feira o perdão do serviço da dívida a 25 dos Estados mais pobres, incluindo Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, para lhes aliviar a dívida e facilitar a resposta ao impacto da pandemia.

A diretora do FMI, Kristalina Georgieva, adiantou, em comunicado, que a medida permite cobrir durante seis meses os reembolsos relativos à dívida destes Estados para com a instituição financeira e “afetar uma maior parte dos magros recursos (destes países) aos esforços em assuntos de urgência médica e ajuda”.

João Fadiá explicou também que em 06 de abril enviou uma carta à diretora-geral do FMI em que fazia notar que a Guiné-Bissau estava a sofrer os efeitos da pandemia, que tinha feito investimento público no âmbito do combate e prevenção e que, por isso, solicitava um alívio da dívida.

Segundo João Fadiá, a Guiné-Bissau está a ter um “impacto económico muito significativo”.

“Estamos no período de comercialização da castanha de caju e até esta altura não há sinais de atividade por falta de compradores”, disse.

Ao nível das finanças públicas, o impacto da covid-19 deverá levar o país a perder 1,5% do Produto Interno Bruto e deverá haver perdas de 44 milhões de dólares (cerca de 40 milhões de euros) em pagamentos.

A economia da Guiné-Bissau é dominada pela comercialização da castanha de caju, maior produto de exportação do país, e da qual depende direta e indiretamente cerca 80% da população do país.

As autoridades de saúde da Guiné-Bissau elevaram na segunda-feira para 40 o número de casos da covid-19 no país.

No âmbito do combate ao novo coronavírus, as autoridades guineenses declararam o estado de emergência, que foi renovado sábado até 26 de abril, bem como o encerramento das fronteiras aéreas, terrestres e marítimas na Guiné-Bissau, medidas que foram acompanhadas de uma série de outras restrições à semelhança do que está a acontecer em vários países do mundo.

Uma das restrições só permite que as pessoas circulem entre 07:00 e as 11:00 locais (menos uma hora que em Lisboa).

A covid-19 atingiu a Guiné-Bissau num momento em que o país vive mais um período de crise política, depois de o general Umaro Sissoco Embaló, dado como vencedor das eleições pela Comissão Nacional de Eleições, se ter autoproclamado Presidente do país, enquanto decorre no Supremo Tribunal de Justiça um recurso de contencioso eleitoral apresentado pela candidatura de Domingos Simões Pereira.

Umaro Sissoco Embaló tomou posse numa cerimónia dirigida pelo vice-presidente do parlamento do país Nuno Nabian, que acabou por deixar aquelas funções, para assumir a liderança do Governo nomeado pelo autoproclamado Presidente.

O Governo demitido por Umaro Sissoco Embaló, o do primeiro-ministro Aristides Gomes, mantém o apoio da maioria no parlamento da Guiné-Bissau.

O Governo liderado por Nuno Nabian ocupou os ministérios com o apoio de militares, mas Sissoco Embaló recusa que esteja em curso um golpe de Estado no país e diz que aguarda a decisão do Supremo sobre o contencioso eleitoral.

Depois de os ministérios terem sido ocupados, as forças de segurança estiveram em casa dos ministros de Aristides Gomes para recuperar as viaturas de Estado.

Na sequência da tomada de posse de Umaro Sissoco Emabaló e do seu Governo, os principais parceiros internacionais da Guiné-Bissau apelaram a uma resolução da crise com base na lei e na Constituição do país, sublinhando a importância de ser conhecida uma decisão do Supremo Tribunal de Justiça sobre o recurso de contencioso eleitoral.

O Supremo Tribunal de Justiça remeteu uma posição sobre o contencioso eleitoral para quando forem ultrapassadas as circunstâncias que determinaram o estado de emergência no país.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já provocou mais de 120 mil mortos e infetou mais de 1,9 milhões de pessoas em 193 países e territórios.

O número de mortes provocadas pela covid-19 em África ultrapassou hoje as 800 com mais de 15 mil casos registados em 52 países, de acordo com a mais recente atualização dos dados da pandemia naquele continente.

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