Operadores hoteleiros angolanos pediram hoje ao Governo a criação de um “fundo de emergência” para acudir a sua “difícil situação”, nomeadamente baixa taxa de ocupação, de cerca de 30%, e hotéis “praticamente parados”, sobretudo devido à covid-19.

“Se calhar com a criação de um fundo de emergência para o setor, em que as taxas de juros deveriam rondar os 0% dada a situação muito particular e de exceção do setor empresarial em Angola”, afirmou hoje o secretário-geral da Associação dos Hotéis e Resorts de Angola (AHRA), Ramiro Barreira.

Segundo o responsável, a pandemia de covid-19 afetou em grande medida o setor hoteleiro e a “capacidade de funcionamento dos hotéis baixou para 30%, o que significa que 70% da sua capacidade não está neste momento a funcionar”.

Além disto, observou, “as dificuldades são enormes, (…) os hotéis do interior do país estão praticamente parados, porque quem fica nos hotéis são, principalmente, pessoas que saíam de uma província para outra”, disse hoje, em declarações à imprensa.

“E este quadro vem criar naturalmente problemas de tesouraria muito grande. São enormes problemas financeiros”, alertou.

Angola entra hoje no 13.º dia do estado de emergência, de 15 dias prorrogáveis, medida decretada pelo Presidente angolano, João Lourenço, em 27 de março passado, como forma de conter a propagação do novo coronavírus.

O país regista 17 casos confirmados de pessoas infetadas pela covid-19, entre os quais 13 casos ativos, dois óbitos e dois pacientes recuperados.

Interdição de pessoas e viaturas na via pública, nos aglomerados e horário específico para venda de bens alimentares estão entre as medidas do estado de emergência, que entretanto, continuam a ser desobedecidas por muitos cidadãos.

Para o secretário-geral da Associação dos Hotéis e Resorts de Angola, o cenário tem “fortes reflexos negativos” para o setor, situação que levou os associados a “instarem o Governo a ter em conta alguns aspetos ligados à saúde financeira do setor”.

São questões, disse ainda, como o pagamento de impostos, segurança social, “protelando-se” e “eventualmente também alguns ajudas no capítulo financeiro que possam ajudar as empresas do setor da hotelaria a sair da situação em que se encontram”.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 1,4 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 80 mil.

Dos casos de infeção, cerca de 290 mil são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

O número de mortes provocadas pela covid-19 em África ultrapassou as 500 nas últimas horas num universo de mais de 10.500 casos registados em 52 países, de acordo com a mais recente atualização dos dados da pandemia naquele continente.

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