Para já, a igreja católica disponibilizou os hospitais de Cumura e Bôr, nos arredores de Bissau, totalizando cerca de 35 camas para internamento de doentes com a covid-19, mas se vier a ser necessário poderá permitir que sejam montadas tendas na parte externa de outros 11 centros de saúde espalhados pelo país, notou Fátima Gomes.

A disponibilidade da igreja católica em ajudar as autoridades no combate ao novo coronavírus foi transmitida pelo bispo de Bissau, Camnaté Na Bissign, num encontro que manteve, na quarta-feira, com elementos das autoridades políticas.

“Isto toca a todos e é nesse âmbito que a igreja católica se disponibilizou para apoiar a luta contra esta pandemia. Muito antes de o Governo vir falar connosco já estávamos a falar, a sensibilizar as populações à volta das nossas paróquias”, observou a responsável da Cáritas guineense.

Como não se pode juntar pessoas, a sensibilização é feita com carros, equipados com megafones, onde são transmitidos anúncios e informações sobre os cuidados para evitar o contagio pela covid-19.

A secretária-geral da Cáritas guineense indicou que a igreja católica, antes mesmo de ser contactada pelas autoridades, já tinha em preparação o seu plano de contingência para ser implementado nos hospitais, centros de saúde, nos 26 centros de recuperação nutricional para crianças e quatro Casas das Mães, que atendem grávidas de alto risco.

A igreja católica conta ainda com o hospital materno infantil de Quinhamel, no nordeste do país, mas que não será disponibilizado para o tratamento de doentes com a covid-19, notou Fátima Gomes.

A intenção da igreja católica é descongestionar o Simão Mendes, principal centro médico da Guiné-Bissau e escolhido pelas autoridades para ser local central de atendimento e internamento de doentes com a covid-19.

Fátima Gomes sublinhou que os hospitais de Bôr e de Cumura possuem algum equipamento, nomeadamente, os ventiladores, “em número reduzido”, que em Cumura é possível fazer teste do novo coronavírus, mas os dois centros estão com alguma dificuldade na produção de oxigénio.

O plano de contingência que a Cáritas preparou prevê a recuperação da fábrica de oxigénio de Cumura, que se encontra avariada há algum tempo e ainda a compra de reagentes para os testes da covid-19, assinalou Gomes.

A secretária-geral da Cáritas enfatizou que a igreja católica pretende ajudar as autoridades “a estancar a doença, para que não alastre mais”, salientando que a população já tem dificuldades de sobra que poderão agravar-se caso a covid-19 se alastre no país.

A Cáritas está a pedir ajuda aos seus parceiros para constituir um estoque de medicamentos e de alimentos para depois ajudar os mais carenciados, defendeu Fátima Gomes que prevê tempos de dificuldades para uma grande maioria da população guineense.

No âmbito do combate ao novo coronavírus, as autoridades guineenses determinaram declarar o estado de emergência, bem como encerrar as fronteiras aéreas, terrestres e marítimas na Guiné-Bissau. Medidas que foram acompanhadas de uma série de restrições à semelhança do que está a acontecer em vários países do mundo.

Publicidade