“Esta é uma daquelas situações que exigem uma mobilização total da nação. É daquelas situações em que todos, absolutamente todos, devem concentrar-se, primeiramente, na proteção dos cabo-verdianos e na salvaguarda deste pequeno grande país que é Cabo Verde”, apelou Janira Hopffer Almada, que falava aos jornalistas, na cidade da Praia, à saída de um encontro com o primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, sobre o novo coronavírus.

Janira Hopffer Almada disse que o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) “está aberto, disponível, mas sobretudo interessado em participar em todas as análises”, em participar com a apresentação “de medidas que ajudem Cabo Verde a enfrentar esta situação”.

“Nós já pudemos, enquanto povo e enquanto nação, enfrentar várias situações de adversidades, mas tivemos a capacidade de, colocando os interesses do país em primeiro lugar, vencer todas elas. O apelo que faço a todos é que todos coloquemos os interesses do país em primeiro lugar, que todos juntemos os nossos esforços e as nossas forças, para que a nação cabo-verdiana saia vencedora, mais uma vez”, prosseguiu a dirigente partidária.

Janira Hopffer Almada recordou que na sexta-feira apresentou algumas propostas ao Governo e garantiu que vão ser apresentadas mais nos próximos dias.

A líder do PAIVC também sugeriu o envolvimento de todos os partidos políticos nesta luta, bem como de confissões religiosas, organizações da sociedade civil, sindicatos, patronato e antigos líderes da país e ex-ministros da Saúde.

“Esta é uma questão nacional e a luta deve ser conjunta porque a salvação também é coletiva, por isso mesmo é que nós defendemos essa mobilização. A nação precisa de sentir neste momento a liderança desta mobilização”, defendeu Janira Hopffer Almada.

Questionado se o PAICV concorda com medidas mais restritivas, como o fecho das fronteiras, a presidente do partido afirmou não se poder pronunciar sem ter todos os dados, mas disse esperar que o Governo os esteja a recolher para tomar medidas, “de forma ponderada e acautelando os interesses dos cabo-verdianos e do país”.

“Foi isso que nós transmitimos ao primeiro ministro e foi esse apelo que nós fizemos”, concluiu a presidente do maior partido da oposição cabo-verdiana.

Na terça-feira, o primeiro-ministro tem um encontro alargado com a sociedade civil para traçar a melhor estratégia a adotar na prevenção da Covid-19, doença que ainda não registou nenhum caso em Cabo Verde.

No encontro vão marcar presença ainda as confissões religiosas, organizações não-governamentais, corpo diplomático, organismos internacionais acreditados no país, universidades, comunicação social, deputados, câmaras municipais, Polícia Nacional, Proteção Civil e Cruz Vermelha, entre outras entidades.

O país elaborou um plano de contingência, em que uma das medidas é a proibição, até 30 de junho, de grandes eventos com participantes estrangeiros, oriundos de países afetados pelo novo coronavírus.

O coronavírus responsável pela pandemia da Covid-19 infetou cerca de 170 mil pessoas, das quais 6.850 morreram.

Das pessoas infetadas em todo o mundo, mais de 75 mil recuperaram da doença.

O surto começou na China, em dezembro, e espalhou-se por mais de 140 países e territórios, o que levou a Organização Mundial da Saúde a declarar uma situação de pandemia.

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