O presidente da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição, defendeu hoje “medidas mais arrojadas” contra a covid-19, face ao aumento de casos da doença no país, mas mostrou-se contra a imposição de um confinamento total.

“É urgente que o Governo acautele e aprimore medidas mais arrojadas para combater esta pandemia, um dos inimigos mais mortíferos da atualidade”, declarou Ossufo Momade, que falava durante uma conferência de imprensa por ocasião do Dia de África, que se celebra hoje.

Sem especificar o tipo de ações que podem ser adotadas, o líder da Renamo avançou que o Governo deve evitar um ‘lockdown’, ou seja, um confinamento mais restritivo, porque “não é desejável” para a população moçambicana.

Momade acusou as autoridades de tratarem com ligeireza casos de violação do estado de emergência por parte de dirigentes do Estado e lidarem de forma mais dura com casos de desrespeito por parte de populares – considerando de uma forma geral que hesitaram na tomada de “medidas firmes”, responsabilizando essa postura pelo “aumento sucessivo de contaminação”.

O líder da Renamo classificou ainda como falta de seriedade e responsabilidade o facto de o ministro da Saúde, Armindo Tiago, ter afirmado na sexta-feira que os túneis de desinfeção são ineficazes, depois de a sua utilização ter sido promovida pelas autoridades.

“Será que a mensagem que se pretende transmitir é que antes da sua instalação em vários lugares públicos, como nos mercados e instituições públicas, incluindo na Assembleia da República, não houve um estudo cauteloso”, questionou Ossufo Momade.

O Ministério da Saúde moçambicano anunciou no domingo mais 26 casos de infeção pelo novo coronavírus, o dia em que maior número foi acrescentado ao total acumulado, que ascende agora a 194 – com 51 casos recuperados (cerca de um quarto) e sem mortes.

“É a primeira vez que temos um número tão alto de casos num único dia. Houve semanas em que não tínhamos tantos casos”, o que indica que a pandemia em Moçambique “está a entrar numa nova fase”, com maior transmissão local, referiu o diretor-geral do Instituto Nacional de Saúde (INS), Ilesh Jani.

Moçambique vive em estado de emergência desde 01 de abril e até final de maio, com espaços de diversão e lazer encerrados, proibição de todo o tipo de eventos e de aglomerações, recomendando-se à população que fique em casa, se não tiver motivos de trabalho ou outros compromissos essenciais para tratar.

Durante o mesmo período, há limitação de lotação nos transportes coletivos, é obrigatório o uso de máscaras na via pública, as escolas estão encerradas e a emissão de vistos para entrar no país está suspensa.

Em África, há 3.348 mortos confirmados em mais de 111 mil infetados em 54 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia naquele continente.

​​​​​​​A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 343 mil mortos e infetou mais de 5,3 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Mais de dois milhões de doentes foram considerados curados.

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