A analista de assuntos económicos com o pelouro de África nas Nações Unidas Helena Afonso disse hoje que a ONU prevê que Moçambique cresça apenas 1,7% este ano, conseguindo depois acelerar para 2,7% em 2021.

“A pandemia da covid-19 está a descarrilar a recuperação económica incipiente, dada a menor produção de carvão e a fraca produção agrícola”, disse Helena Afonso em entrevista à Lusa.

“O crescimento do PIB deverá ser de 1,7% este ano e de 2,7% em 2021”, acrescentou a analista, alertando, no entanto, que “estas projeções poderão vir a ser revistas em baixa no curto prazo”.

Para a ONU, “são necessárias medidas de alívio orçamental nesta altura, mas a pouca margem orçamental e os efeitos da crise da dívida de 2016 limitam a capacidade” do país, concluiu.

Na entrevista à Lusa, Helena Afonso salientou ainda que a ajuda externa vai ser muito importante para os países africanos: “Vai ser muito importante a solidariedade não só entre países africanos, mas também a solidariedade vinda do resto do mundo; no entanto, assistimos ao contrário, e alguns países restringiram as exportações de alimentos e material médico, que são importações cruciais para o combate ao vírus em África”.

“Na ONU vemos a situação de uma forma algo preocupante, África tem um potencial muito grande para ter um grande número de casos, é uma das regiões onde o número de casos mais está a crescer apesar das medidas em vigor, a capacidade é mais reduzida, mas até agora continua a ser uma das regiões menos afetadas em termos do número de casos e de mortes”, disse a especialista.

“Lamentavelmente, mesmo antes de se depararem com uma crise geral de saúde, a maior parte dos países já entrou numa crise económica; muitos ainda se encontravam na fase de recuperação da crise de 2014 e estavam numa situação difícil ao entrar na pandemia, e portanto este é um teste muito grande à resiliência de África e dos africanos”, acrescentou, na entrevista por telefone à Lusa a partir de Nova Iorque, a sede da ONU.

Em África, há 3.246 mortos confirmados em mais de 107 mil infetados em 54 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia naquele continente.

Entre os países africanos que têm o português como língua oficial, a Guiné-Bissau lidera em número de infeções (1.114 casos e seis mortos), seguindo-se a Guiné Equatorial (719 casos e sete mortos), Cabo Verde (371 casos e três mortes), São Tomé e Príncipe (291 casos e 11 mortos), Moçambique (168 casos) e Angola (61 infetados e quatro mortos).

Publicidade