As Nações Unidas lançaram hoje um apelo aos parceiros internacionais para angariação de 68 milhões de dólares (60 milhões de euros) destinados a um apoio urgente a Moçambique para combate à covid-19, anunciou a organização.

“O apelo urgente em resposta à covid-19 concentra-se nas necessidades imediatas e críticas daqueles que já estão a enfrentar condições humanitárias severas”, referiu a ONU em comunicado. 

O plano foi apresentado no mesmo dia em que foi lançado outro apelo para apoio a deslocados pela violência armada em Cabo Delgado no valor em 35,5 milhões de dólares (30 milhões de euros), totalizando 103,6 milhões de dólares (90 milhões de euros) de pedidos para Moçambique.

“Convido a comunidade internacional a se unir e a apoiar de maneira atempada e generosa o povo de Moçambique, respondendo a esses dois apelos”, sublinhou Myrta Kaulard, coordenadora residente das Nações Unidas em Moçambique.

O plano para enfrentar a codi-19 cobre ações previstas até dezembro.

A resposta dá prioridade às necessidades dos mais vulneráveis, incluindo “pessoas a viver em situação de pobreza, deficiência, pessoas com HIV, idosos, população deslocada e comunidades em situação de risco”.

Prevê-se que sejam abrangidas cerca de três milhões de pessoas de um total de oito milhões que a ONU estima necessitarem de ajuda, numa operação que envolve 57 parceiros setoriais.

Dos 68 milhões de dólares requeridos, 16 milhões de dólares (14 milhões de euros) são destinados ao setor da saúde e 52 milhões de dólares (46 milhões de euros) para segurança alimentar, meios de subsistência, água, saneamento e higiene. 

Entre os grupos de risco face à covid-19 em Moçambique, a ONU destaca “que existem 1,3 milhões de idosos (5% da população), 2,3 milhões de pessoas com HIV e outras 162.000 que sofrem de tuberculose (das quais 58.000 também têm HIV), condições já de si adversas e agravadas face ao novo coronavírus”.

Há ainda a dificuldade de acesso aos serviços médicos, com 50% da população a viver a mais de 20 quilómetros da unidade de saúde mais próxima.

Os estragos e deslocados provocados pelos ciclones Idai e Kenneth em 2019 e pelo conflito armado em Cabo Delgado agravam o cenário.

A coordenadora residente das Nações Unidas em Moçambique apelou aos parceiros para que ajudem o país “a proteger os mais atingidos por vários choques, incluindo as consequências humanitárias da covid-19, bem como secas recorrentes, inundações e crescente violência na província de Cabo Delgado”.

“Os apelos complementarão os esforços empreendidos pelo Governo de Moçambique, através do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), para ajudar o povo moçambicano”, destacou Luísa Meque, diretora-geral do INGC de Moçambique.

Moçambique tem um total acumulado de 352 casos de infeção pelo novo coronavírus, com dois óbitos e 114 recuperados.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 385 mil mortos e infetou mais de 6,5 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

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