No encontro realizado no Palácio do Governo, na cidade da Praia, o primeiro a deixar a sua mensagem foi o presidente da plataforma das organizações não-governamentais (ONG), Jacinto Santos, que referiu que se trata de um vírus que se transmite pelo padrão de relacionamento na vida quotidiana de cada um. 

Por isso, considerou que a intervenção deve incidir sobre aspetos comportamentais, que estão sendo largamente difundidos pelas autoridades, e que é preciso uma estratégia de comunicação neste contexto, em que se está a passar muita informação técnica, que também entendeu ser importante. 

“Mas o mais importante do nosso ponto de vista é ter uma estratégia multimédia a vários níveis, para um contexto específico ligado ao problema da doença”, acrescentou. 

O presidente da associação sindical dos jornalistas de Cabo Verde (Ajoc), Carlos Santos, falou da importância da transmissão de informações precisas, verificadas e factuais por parte da classe, para evitar o sensacionalismo que possa criar alarme, pânico e medo. 

Por outro lado, pediu ao Ministério da Saúde o reforço dos mecanismos e modelos de transmissão de informações aos jornalistas “de forma oportuna e transparente”, para que tenham acesso a tudo o que seja relevante e de utilidade pública neste combate ao novo coronavírus. 

“O modelo de ‘briefings’ semanais com a imprensa não satisfaz a rotina produtiva dos meios de comunicação social. Sugerimos que se crie no Ministério da Saúde um gabinete de comunicação com especialistas que possam auxiliar os jornalistas na sua missão de informar sobre o novo coronavírus”, sugeriu Carlos Santos. 

Já os representantes de igrejas no país pediram união, serenidade, bem como sabedoria para evitar a pressão do medo, conforme afirmou o superintendente geral da Igreja do Nazareno, David Araújo. 

Salientando a importância da passagem de informação correta, David Araújo informou que a congregação religiosa que dirige já reduziu algumas atividades, mantendo apenas os cultos, porque Cabo Verde ainda não registou nenhum caso positivo de Covid-19. 

O presidente da Associação Nacional dos Municípios de Cabo Verde (ANMCV), Manuel de Pina, sublinhou o “diálogo cordial e assertivo” que tem havido entre todas as instituições e deixou uma mensagem de “esperança” e de “resiliência” ao país.

Já o representante da Organização Mundial de Saúde (OMS) em Cabo Verde, Hernando Agudelo, pediu colaboração de todos e instou o país a continuar a “fazer todo o possível” para diagnosticar os casos suspeitos precocemente. 

“A vigilância epidemiológica é um ponto fundamental na prevenção do alastramento de uma epidemia”, salientou o responsável, que felicitou o Governo cabo-verdiano pelos esforços e pelas medidas tomadas até agora e garantiu apoio desta organização e das Nações Unidas. 

O diretor nacional de Saúde de Cabo Verde, Artur Correia, fez o enquadramento do encontro, falando sobre as medidas no Plano Nacional de Contingência e reconheceu que o país tem de melhorar qualitativamente em termos de prestação de serviços nos pontos de entrada. 

“Mas neste momento estamos preparados para detetar precocemente eventuais casos e tomar medidas de isolamento que se impõe em casos desses”, afirmou o responsável de saúde. 

Durante o encontro, o primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, anunciou a interdição dos aeroportos de Cabo Verde, a partir de quarta-feira, a todos os voos de Portugal, e restantes países europeus afetados pela pandemia de Covid-19 e declarou a situação de contingência ao nível da Proteção Civil e com abrangência nacional. 

Mais de 7.000 pessoas morreram devido a 175.530 casos de contaminação identificados em 145 países e territórios, desde o princípio da pandemia, em dezembro passado. 

O surto começou na China e espalhou-se por mais de 140 países e territórios, o que levou a OMS a declarar uma situação de pandemia.

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