O economista guineense Santos Fernandes afirmou hoje que a pandemia do novo coronavírus tem provocado o caos na economia da Guiné-Bissau e vão ser precisos apoios, porque o setor privado está com dificuldades.

“A pandemia tem provocado um certo caos a nível económico”, afirmou Santos Fernandes à Lusa.

A Guiné-Bissau regista 1.256 casos de infeção por covid-19 e oito vítimas mortais.

Com a chegada da covid-19 ao país, as autoridades aplicaram uma série de restrições que tiveram impacto no setor privado e há muitos empresários a admitirem encerrar as portas.

“O ambiente não está favorável para as pequenas e médias empresas e algumas estão a encerrar portas por falta de liquidez. São sinais. Tudo indica que vai ser muito prejudicial. Se já não havia um setor privado robusto com a pandemia o setor está com muitas dificuldades”, salientou Santos Fernandes.

O economista afirmou também que o país está em plena época de comercialização da castanha de caju e que não há operadores económicos no terreno.

“Mais de 80 empresas deviam estar a vender e comprar a castanha de caju, mas as restrições têm dificultado a sua entrada”, afirmou.

A castanha de caju é o principal produto de exportação da Guiné-Bissau e motor da economia do país, do qual dependem direta ou indiretamente cerca de 80% da população, principalmente os agricultores.

“Significa que vamos ter dificuldades, sobretudo os agricultores, que têm o produto, mas não têm a quem vender e isso vai ter reflexo a nível das nossas populações, que já têm dificuldades”, disse.

Para Santos Fernandes, o primeiro semestre de 2020 na Guiné-Bissau é de recessão e tudo indica que a economia vai ter “problemas sérios, precisar de apoio e não é prioridade do debate político”.

Em África, há 4.228 mortos confirmados em mais de 147 mil infetados em 54 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia naquele continente.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 372 mil mortos e infetou mais de 6,1 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Mais de 2,5 milhões de doentes foram considerados curados.

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