O Presidente da República classificou hoje como um “exercício meramente especulativo” discutir soluções políticas futuras depois da crise sanitária da covid-19, considerando que há ainda “muito a fazer” para se “congeminar sobre um futuro longínquo”.

No final de audiências com a Confederação do Comércio e Serviços de Portugal e a Confederação do Turismo Português, Marcelo Rebelo Sousa foi questionado se Portugal precisará de um governo de salvação nacional, depois de no domingo o líder do PSD, Rui Rio, ter dito que, após o fim da pandemia da covid-19, “o Governo que vier será de salvação nacional” – ainda que seja o mesmo – para responder aos efeitos da crise económica.

“Isso é a mesma coisa que falar nas presidenciais, é o que se chama congeminar sobre um futuro longínquo”, começou por afirmar o chefe de Estado.

“Temos o Governo que temos, temos a unidade nacional no parlamento que temos, temos a prioridade que temos: é resolver este problema. Estar a imaginar o que se vai passar depois de um processo em curso é um exercício puramente especulativo”, disse.

Questionado se seria desejável um Governo mais forte do que o atual executivo minoritário para enfrentar o problema da futura crise económica, Marcelo Rebelo de Sousa voltou a defender que a prioridade neste momento é a crise sanitária para a qual existe “unidade nacional”.

“Discutir a seguir o ajuste de contas políticas, o que se pensa de A e B? Oh, meu Deus, até chegarmos lá temos ainda muito a fazer”, defendeu.

Interrogado se as palavras de Rui Rio, em entrevista à RTP, foram “uma espécie de pôr o carro à frente dos bois”, o chefe de Estado respondeu: “É isso. Falaremos oportunamente daquilo que é para depois, não é para já”, disse, encerrando o assunto.

Em entrevista à RTP, Rui Rio foi questionado se coloca um cenário de Bloco Central, com PS e PSD no Governo, ou a formação de um Governo de salvação nacional para responder à crise económica do país.

“A isso não lhe vou responder sim, não lhe vou responder não, não lhe vou responder talvez. Não penso nada sobre isso, porque neste momento a prioridade não é pensar sobre isto”, alegou o presidente do PSD.

O líder social-democrata acentuou que “neste momento a prioridade não é pensar sobre isto”, porque se coloca “a parte sanitária em primeiro lugar”.

“Quando vier a economia para o primeiro lugar, então estou convencido de que a sociedade portuguesa vai ter de debater efetivamente a composição de um Governo de salvação nacional. O Governo que vier – pode ser o mesmo, como é lógico – vai ser sempre de salvação nacional”, declarou Rui Rio.

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