O Presidente são-tomense alertou hoje para “o risco do aumento de abuso e violência” e o “agravamento das desigualdades” contra as crianças, que se encontram em casa devido ao encerramento das escolas por causa da covid-19.

“O encerramento das escolas devido às medidas de contenção da covid-19 está a ter um impacto muito negativo no acesso das crianças a uma educação de qualidade, bem como o aumento do risco de abuso e violência, resultante do isolamento das mesmas e as desigualdades existentes poderão agravar-se”, disse Evaristo Carvalho, numa mensagem alusiva ao Dia Mundial da Criança.

O chefe de Estado lembrou que São Tomé e Príncipe conseguiu nos últimos anos “inegáveis ganhos” nos domínios da educação, saúde, proteção e promoção dos direitos da criança.

O governante considerou que, mesmo assim, “é fundamental haver maior coordenação ao mais alto nível das instituições do Estado para que as necessidades básicas das crianças sejam devidamente identificadas e responsabilizadas através de medidas integradas”.

Evaristo Carvalho lamentou que este seja um primeiro de junho que se comemora no país “diferente de todos os outros”, porque o surto do novo coronavírus que assola o país “não permite que a habitual festa realizada nos jardins-de-infância e escolas do ensino básico tenham lugar”.

Mais de 30 mil crianças estão impedidas de irem à escola devido às medidas de contenção da propagação da covid-19.

A representante do Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef) em São Tomé e Príncipe defendeu que é preciso os apoios chegarem a esta franja da população, para que tenham maior aproveitamento escolar.

“Isso é um problema que faz parte da discussão regular que temos tido com o Ministério da Educação, junto com o Programa Alimentar Mundial [PAM], cujo objetivo é apoiar as famílias mais vulneráveis com a ajuda alimentar”, disse Mariavittoria Balota.

A representante da Unicef considerou que a covid-19 está a empatar “o presente e o futuro das crianças de São Tomé e Príncipe”.

“Estamos a falar de mais de 30 mil crianças que não têm acesso a educação tradicional e não só. Falo também da socialização, jogar, brincar, etc. Acho que isso vai ter um impacto muito forte nessa geração de crianças”, acrescentou.

Em África, há 4.228 mortos confirmados em mais de 147 mil infetados em 54 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia no continente.

São Tomé e Príncipe registava 479 casos e 12 mortos pelo novo coronavírus.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 372 mil mortos e infetou mais de 6,1 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Mais de 2,5 milhões de doentes foram considerados curados.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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