O primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, afirmou hoje que as medidas de mitigação da crise provocada pela pandemia de covid-19 “estão tomadas e aprovadas”, exigindo-se a sua “implementação rápida”, tendo em conta as necessidades.

“A implementação rápida com as exigências que este tempo nos impõe é fundamental, para que possamos, de facto, dar as respostas, porque está muita coisa em jogo. Primeiro é a necessidade efetiva das pessoas e depois a confiança”, afirmou Ulisses Correia e Silva, durante um encontro realizado hoje, na Praia, com o governador do Banco de Cabo Verde, João Serra, e representantes dos bancos comerciais e das seguradoras.

De moratórias ao pagamento de créditos à banca, até 30 de setembro, até à possibilidade de suspensão de contratos de trabalho, ao adiamento no pagamento de impostos ou ao subsídio a trabalhadores informais, devido à crise provocada pela pandemia de covid-19 e às medidas de proteção social decorrentes do estado de emergência, o Governo já aprovou várias medidas de natureza fiscal, laboral, de administração da justiça e de administração pública, bem como programas de apoio setoriais.

Para Ulisses Correia e Silva, o Governo sentiu-se “obrigado a tomar medidas rápidas, pensadas e ponderas, mas nunca com certeza absoluta”, face a um contexto único.

“Nunca antes fomos pressionados para tomar medidas e legislar sobre diversas matérias com tanta rapidez”, admitiu o primeiro-ministro.

A prioridade, explicou, continua a ser o setor da saúde, para tratar a população no contexto da pandemia, além do pacote de medidas para a proteção do emprego, do rendimento das famílias e das empresas. E para estas, sublinhou, é necessário dar respostas rápidas, como a disponibilização pela banca das linhas de crédito de 4.000 milhões de escudos (36,2 milhões de euros) para apoiar as empresas.

“Estando numa situação de anormalidade exige-nos muita capacidade de sermos efetivos e ao mesmo tempo garantir a segurança das operações”, admitiu Ulisses Correia e Silva, acrescentando: “Não há tempo para pensar, no sentido de termos todos os riscos controlados”.

A crise económica já se sente no arquipélago, dependente do turismo e fechado ao exterior devido à pandemia provocada pelo novo coronavírus, tendo o vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Olavo Correia, assumido anteriormente a preparação de um novo Orçamento do Estado para 2020, porque o atual “pifou”.

Em cima da mesa, explicou, está um cenário de défice orçamental que dispara este ano de 2 para 10% do Produto Interno Bruto (PIB), com a correspondente “explosão” da dívida pública e uma recessão económica de 4 a 5% do PIB, contra o crescimento anual acima de 5% que se registava até agora.

O quadro, reconheceu, é composto ainda por, “no melhor cenário”, a duplicação do desemprego, cuja taxa poderá chegar aos 20% e a quebra de 18 mil milhões de escudos (163 milhões de euros) em receitas públicas.

Cabo Verde conta com sete casos confirmados da covid-19, entre as ilhas da Boa Vista (4), de Santiago (2) e São Vicente (1).

O país cumpre hoje 11 dias, de 20 previstos, de estado de emergência para conter a pandemia provocada pelo novo coronavírus, com a população obrigada ao dever geral de recolhimento, com limitações aos movimentos, empresas não essenciais fechadas e todas as ligações interilhas e para o exterior suspensas.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 1,4 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 82 mil.

Dos casos de infeção, cerca de 260 mil são considerados curados.

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