O presidente da Proteção Civil de Cabo Verde disse hoje que, além da exigência das autoridades, os cidadãos devem ter responsabilidade e redobrar as medidas de segurança na cidade da Praia, o foco da covid-19 no país.

“Estamos numa fase em que já saímos do estado de emergência, mas ainda há algumas restrições. Estamos numa fase em que, para além das exigências das autoridades, também requer uma cerca responsabilidade por parte das pessoas”, pediu Renaldo Rodrigues, em declarações à agência Lusa.

O presidente do Serviço Nacional da Proteção Civil e Bombeiros de Cabo Verde (SNPCB) notou que o vírus já está a circular nos vários bairros da cidade da Praia, o que está a ser comprovado com os testes rápidos de pesquisa de anticorpos, com 1,2% dos cerca de sete mil realizados em todo o país a darem resultado positivo.

“As pessoas têm que estar conscientes, têm que redobrar as medidas de segurança”, disse o presidente da SNPCB, entidade que coordena toda a atividade de segurança relacionada com a pandemia da covid-19 em Cabo Verde.

“As pessoas podem estar sedentas de atividades em público, mas têm de consciencializar-se de que se não cerrarmos fileiras e atacarmos juntos, pelo menos para daqui um mês estarmos em condições de retomarmos a nossa atividade com segurança, todo o trabalho que está sendo feito estará sempre comprometido, estaremos sempre a correr atrás do vírus”, alertou. 

Para Renaldo Rodrigues, se as pessoas continuarem com a mesma atitude em alguns bairros, agora que deixou de vigorar o estado de emergência, a retoma que se quer “poderá demorar ainda mais”.

A ilha de Santiago deixou no sábado de estar em estado de emergência, mas a cidade da Praia continua a ser o foco de covid-19, com um acumulado de 392 casos, quatro mortes e 176 curados.

Na segunda-feira, as autoridades de saúde de Cabo Verde alertaram para o “abuso no desconfinamento”, com aglomerações e convívios, sobretudo na cidade da Praia, e pediram maior responsabilidade e mudança de comportamento em relação às medidas preventivas da pandemia.

O presidente do SNPCB disse que há mais liberdade de circulação, mas pediu às pessoas para “fazerem a sua parte”, tendo “atitudes responsáveis” para evitar levar o vírus para casa. 

O responsável sublinhou que a competência para declarar o estado de emergência é do Presidente da República, mas referiu que um possível regresso a esse estado de exceção “vai depender muito da evolução da situação epidemiológica nas várias ilhas”.

A mesma fonte deu conta de medidas que vão mitigando o risco de propagação do vírus na comunidade, como uso de máscaras e distanciamento social.

“Só precisaremos de assumir essas medidas como parte do nosso comportamento e do nosso convívio social para que não tenhamos que dar um ou dois passos atrás, perante os ganhos de cada uma das ilhas”, prosseguiu.

Depois do epicentro do vírus na ilha da Boa Vista, em maio a Proteção Civil concentrou ações na cidade da Praia, o maior centro populacional de Cabo Verde, com o presidente a sublinhar essas características diferentes, que torna a exigência ainda maior fora do estado de emergência.

Segundo os dados atualizados pelas autoridades de saúde, desde 19 de março Cabo Verde registou um acumulado de 466 casos de covid-19, distribuídos pelas ilhas de Santiago (402), Boa Vista (56), São Vicente (04) e Sal (04).

Do total, registaram-se cinco óbitos, dois doentes foram transferidos e 237 são considerados curados da doença, fazendo com que o país tenha neste momento 222 doentes internados nos isolamentos institucionais.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 377 mil mortos e infetou mais de 6,3 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Mais de 2,6 milhões de doentes foram considerados curados.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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