Estes quatro casos, que tinham dado positivo após testes realizados no Gabão, fazem parte de um lote de 80 amostras enviadas pelo Governo de São Tomé e Príncipe para a Guiné Equatorial, das quais 79 deram agora resultado negativo, havendo um teste inconclusivo e que “carece de repetição”.

“Informo que os quatro casos confirmados anteriormente no laboratório da Franceville [Gabão] foram repetidos e integram este lote”, explicou o chefe do Governo, Jorge Bom Jesus, numa declaração à imprensa.

Estes quatro eram, até agora, os únicos casos identificados no país como positivos.

O primeiro-ministro anunciou também que, apesar deste resultado, o seu Governo remeteu ao Presidente da República, Evaristo Carvalho, “um pedido” para uma nova prorrogação do estado de emergência por mais 15 dias.

Bom Jesus justificou o pedido com “o facto de muitas ações não estarem concluídas para garantir respostas consistentes e eficazes perante uma pandemia que continua a evoluir na nossa sub-região”.

O estado de emergência atualmente em vigor acaba esta sexta-feira.

O ministro da Saúde, Edgar Neves, disse, por seu lado, que, tendo os resultados sido negativos, os quatro cidadãos saem da quarentena obrigatória a que estavam submetidos durante as últimas três semanas, podendo “fazer a sua vida normal”.

“Até porque não se justifica mantê-los em quarentena, por uma questão moral e também psicológica”, explicou Edgar Neves.

O primeiro-ministro são-tomense sublinhou que “está a ser montado um hospital de campanha”, com capacidade para 100 camas, doados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O governante referiu ainda que no âmbito do programa para evitar o alastramento da pandemia da covid-19 em São Tomé e Príncipe, o seu Governo comprou 3.000 testes rápidos, ventiladores, concentradores de oxigénios, botijas de reserva, materiais de proteção, consumíveis e medicamentos diversos, e que “se encontram em Portugal aguardando confirmação do embarque”.

O executivo concluiu ainda a instalação de um centro de isolamento na Região Autónoma do Príncipe.

Por outro lado, a OMS enviou para São Tomé um especialista proveniente da Guiné Equatorial para montar o laboratório e espera-se, na capital do país, dentro dos próximos dias, a chegada de um epidemiologista cubano, que “já se encontra em Luanda”.

Apesar dos resultados feitos na Guiné Equatorial darem praticamente todos negativos, o Governo diz que vai continuar com o programa de “desconcentração da população e distanciamento social e saneamento do centro da capital do país”.

“O Governo continuará a pautar a sua atuação na base da responsabilidade, firmeza, espírito de coesão nacional e salvaguarda dos superiores interesses do povo de São Tomé e Príncipe”, adiantou o governante.

O chefe do executivo garante que “não será tolerado nenhum ato, comportamento atentatório à paz social ou aproveitamento da frágil conjuntura política, social, económica e financeira do país”.

O número de mortes provocadas pela covid-19 em África é de pelo menos 965, com mais de 18 mil casos registados em 52 países, de acordo com a mais recente atualização dos dados da pandemia no continente.

A nível global, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 145 mil mortos e infetou mais de 2,1 milhões de pessoas em 193 países e territórios. Mais de 465 mil doentes foram considerados curados.

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