O gabinete de estudos económicos do Standard Bank considerou hoje que a descida dos preços do petróleo devido ao surto de Covid-19 pode obrigar o Governo angolano a rever o Orçamento Geral do Estado.

“O preço do barril de crude desceu para cerca de 56 dólares [50 euros] por barril, mais perto dos 55 [49 euros] usados pelo Governo de Angola na elaboração do orçamento para este ano; se a situação piorar não descartamos uma revisão do Orçamento para garantir que o saldo orçamental seja zero”, escrevem os analistas.

De acordo com o mais recente relatório sobre as economias africanas, enviado aos investidores e a que a Lusa teve acesso, Angola é um dos países com um relacionamento mais próximo com a China, e por isso “não está imune aos impactos negativos que o surto deverá ter a nível global”.

Os analistas do Standard Bank lembram que as vendas da China a Angola representavam 13,3% das importações totais, e as vendas de petróleo angolano ao gigante asiático valiam quase 70% do total.

“No segundo trimestre do ano passado a dívida soberana de Angola à China representava 47% da dívida externa total; a incerteza sobre o impacto da propagação do vírus já afetou os preços do petróleo e tem o potencial de deprimir ainda mais a economia angolana”, alertam os analistas.

Os riscos sobre estas previsões, de resto, são descendentes, já que o declínio da produção de petróleo agrava o risco de adiamento da recuperação: “Continuamos em dúvida sobre se a produção petrolífera vai estabilizar nos atuais níveis, à volta de 1,4 milhões de barris diários, ou se vai cair mais nos campos já antigos devido à quebra da produção e progresso lento nos investimentos”, dizem, concluindo que, “seja como for, mantém-se, para já, a previsão de crescimento da economia em 1,4% este ano”.

O surto de Covid-19, detetado em dezembro, na China, e que pode causar infeções respiratórias como pneumonia, provocou cerca de 3.300 mortos e infetou mais de 95 mil pessoas em 79 países, incluindo oito em Portugal.

Das pessoas infetadas, mais de 50 mil recuperaram.

Além de 3.012 mortos na China, há registo de vítimas mortais no Irão, Itália, Coreia do Sul, Japão, França, Hong Kong, Taiwan, Austrália, Tailândia, Estados Unidos da América e Filipinas, San Marino, Iraque, Suíça e Espanha.

Um português tripulante de um navio de cruzeiros está hospitalizado no Japão com confirmação de infeção.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) confirmou nove casos de infeção, dos quais seis no Porto, um em Coimbra e dois em Lisboa.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou o surto de Covid-19 como uma emergência de saúde pública internacional e aumentou o risco para “muito elevado”.

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