Cerca de uma centena de empresas cabo-verdianas já receberam quase 16 milhões de euros de créditos no âmbito das medidas para apoiar a tesouraria dos negócios afetados pela pandemia de covid-19, anunciou hoje o vice-primeiro-ministro.

Numa nota a que a Lusa teve acesso, Olavo Correia, que é também vice-primeiro-ministro, afirmou que já foram concedidos pela banca, com aval do Estado, “188 créditos atribuídos a cerca de uma centena de empresas beneficiadas”.

Acrescentou que estes créditos concedidos, ascendem, até ao momento, a 1.747 milhões de escudos (15,8 milhões de euros).

“No decurso deste ano, as empresas deverão paralisar ou reduzir drasticamente a sua atividade produtiva, com redução acentuada da faturação e apertos de tesouraria”, reconheceu Olavo Correia.

Acrescentou que “para aliviar a tesouraria das empresas”, através da proposta de Orçamento Retificativo para 2020, que esta semana começou a ser discutido na Assembleia Nacional, será criado “um vasto programa de apoio empresarial”.

“Para, até ao final do ano, evitarmos a falência das empresas em Cabo Verde”, apontou.

Desde abril, o Governo já aprovou a criação de linhas de financiamento pelo Banco de Cabo Verde aos bancos comerciais de mais de 400 milhões de euros. Avançaram ainda linhas de crédito com a garantia do Estado, em vários setores, que totalizam mais 5.000 milhões de escudos (45,2 milhões de euros), para financiar a atividade de empresas.

“Vamos criar uma linha adicional com bonificação a 100% dos juros, por parte do Estado, para as empresas que se comprometerem com normas de segurança, com a manutenção dos postos de trabalho, com a expansão do negócio, e com a criação de novos empregos”, avançou Olavo Correia.

Acrescentou que neste modelo “as empresas pagariam capital e o Governo, através do Orçamento, assumirá os encargos dos juros decorrentes da contratação de empréstimos a serem concedidos no quadro da gestão da covid-19”.

“Por outro lado, estamos com programas setoriais, que abarcarão diferentes áreas de atividade económica, como também o ‘lay-off’, que vai continuar até setembro para as empresas que continuarem a ser altamente impactadas pela crise, com uma redução na sua faturação em valores igual ou superior a 40% daquilo que tem sido o histórico, quer em termos mensais, como em termos anuais”, disse ainda.

Cerca de 25% do Produto Interno Bruto de Cabo Verde depende do Turismo, mas o arquipélago está encerrado a voos internacionais desde 19 de março, para conter a progressão da pandemia de covid-19. A última previsão do Governo aponta a reabertura do país em agosto, mas também a perda de mais de meio milhão de turistas este ano, face ao recorde de 819 mil em 2019.

Cabo Verde regista um acumulado de 1.499 casos de covid-19 diagnosticados desde 19 de março, com 18 óbitos. Destes, cerca de mil casos foram confirmados desde 01 de junho, com o foco nas ilhas de Santiago (nomeadamente na Praia) e do Sal.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 539 mil mortos e infetou mais de 11,69 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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