O setor do turismo em Moçambique tenta hoje manter o foco para enfrentar uma crise nunca vista, num país que tem uma forte dependência da entrada de divisas estrangeiras através dos ‘resorts’ e empreendimentos turísticos.

“O objetivo agora é minimizar ao máximo os custos para poder passar esta temporada sem ter de ir ao custo principal: os trabalhadores. Não há despedimentos, mas estamos a mandar de férias quem tem de ir, a procurar reduzir custos”, explica à Lusa, em Maputo, Rui Monteiro, empresário do setor.

Apertar o cinto é ideia comum a quase todos os empresários do setor face às restrições de viagens provocadas pela pandemia de covid-19.

“A situação não está boa. Acho que não há saída”, diz Emília Naiene. 

A empresária gostava de “ver até onde isto vai, porque as pessoas não circulam, há medo de circular”, mas a incerteza não deixa descobrir o horizonte. 

“É só esperar e ter paciência, esperar até que a crise passe. Penso que vamos ter fé”, remata.

O setor do turismo deverá ser o mais afetado em Moçambique devido ao novo coronavírus, de acordo com um estudo da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), principal associação patronal do país.

Praias de sonho banhadas pelo oceano Índico, parques naturais e locais históricos estão vazios, num cenário que acontece um pouco por todo o mundo.

Em Moçambique, no melhor dos cenários previstos pela CTA, as perdas no turismo equivalem a um quinto de todo o prejuízo do setor empresarial.

No pior dos casos, pode ser o equivalente a um terço.

O estudo da confederação patronal aponta para perdas entre 234 a 375 milhões de dólares (216 a 347 milhões de euros) em todo o setor empresarial do país, 53 a 71 milhões de dólares (49 a 65 milhões de euros) no turismo.

“Os dados de grande parte dos operadores do sector do turismo sugerem que tiveram perdas de cerca de 35% no mês de janeiro, 45% em fevereiro e 65% em março face a iguais períodos de 2019”, sublinha a pesquisa da CTA, baseada em inquéritos à empresas.

Para fazer face à situação, a confederação patronal sugeriu na última semana a suspensão dos contratos de trabalho durante seis meses (‘lay-off’) em que as empresas deixem de pagar os salários a 100%.

“Para evitar os impactos sociais que esta medida pode acarretar, propõe-se a aprovação de um pacote de subsídio aos trabalhadores”, cobrindo toda a despesa salarial, o que pode ascender a 44,4 milhões de euros, valor suportado pelo Estado e parceiros. 

A instituição defende ainda medidas fiscais, aduaneiras e financeiras “aplicáveis a todos os setores económicos e que devem ser implementadas em função dos alertas do nível de gravidade do risco da pandemia da covid-19”.

No total, o “pacote de medidas imediatas a serem implementadas para os setores prioritários” proposto pela CTA tem um custo de 322,3 milhões de euros.

Moçambique tem 10 casos oficialmente registados de infeção pelo novo coronavírus, um dos quais recuperado, após 367 teste desde o início da pandemia, a 11 de março.

Os casos têm apresentado sintomas ligeiros e nenhum ainda precisou de tratamento hospitalar.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 1,3 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 73 mil e cerca de 250 mil são consideradas curadas.

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