A pintora manifestou, ao Jornal de Angola, preocupação pelo facto de muitas jovens talentosas estarem a abandonarem as artes depois de anos de formação, por não terem o retorno financeiro no investimento feito. Fineza Teta, que nos últimos anos se notabilizou na pintura, espera ver mais mulheres nas artes plásticas, porém, admite, existirem muitos constrangimentos no mercado, a inibirem as jovens.

No país, adiantou, existem muitas jovens criativas, a produzirem obras de arte com bastante qualidade estética e valores culturais, assim como a promoverem os costumes, simbologias e a matriz cultural angolana, que apenas precisam de incentivo para vencerem. “É preciso maior atenção para as mulheres criadoras, de forma a que o espaço conquistado por algumas não desapareça com o passar dos anos”, sustentou.

Em 2017, a artista abriu uma oficina para incentivar talentos. O projecto, explicou, denominado “Fisty Estúdio Design e Arte”, tem procurado dar respostas positivas as várias solicitações de jovens que pretendem aprimorar e aprender a pintar. O espaço, informou, destina-se, também, a dar oportunidades aos novos talentos e incentivá-los a mostrarem as habilidades no campo da criatividade artística e, também, contribuir no crescimento das artes no país. “É uma forma de minimizar as carências que os artistas enfrentam para apresentarem as obras. A galeria é, igualmente, um espaço para promoção de intercâmbios entre os artistas”.

Além de galeria de arte, o espaço, acrescentou, tem ajudado a produzir material de trabalho para alguns artistas nacionais. “Temos procurado lutar contra a dependência de material de arte vindo do estrangeiro”, disse. Para Fineza Teta, manter o projecto não tem sido fácil, “porque o espaço é arrendado e o actual momento que o país está a viver tem obrigado a fazer alguns sacrifícios”. “Muitos empresários têm receio de fazer grandes investimentos por não saberem se haverá retornos, facto que tem criado desânimo nos criadores, em particular os de artes plásticas”, lamentou.

Percurso

Fineza Teta despontou em 1988, com a produção da obra “Casamento”, com a qual obteve uma menção honrosa no Prémio ENSA-Arte. Depois, para aprimorar os conhecimentos sobre as artes, viajou à África do Sul, onde fez uma formação em comunicação visual, plástica e design, na Open Window Art Academy, tendo concluído a sua formação em 2004.

Em 2007, participou pela segunda vez no prémio ENSA-Arte, com “Em busca das minhas raízes”, com a qual venceu o prémio Juventude. No mesmo ano, participou na Expo Saragoça, na Espanha, onde projectou a fachada do Pavilhão de Angola.

Falta de material preocupa classe

qualidade e em quantidade no mercado nacional, tem criado inúmeras dificuldades para os artistas plásticos, lamentou, a artista plástica e cantora Clara Monteiro, que reconhece um crescimento no sector, mas espera ver mais investimentos, sobretudo, nos projectos feitos por mulheres. 

“As mulheres já deram provas suficientes de terem capacidade físicas e qualidades intelectuais para dirigirem bons projectos culturais, mas faltam ainda os apoios necessários dos empresários” , realçou, acrescentando que ainda existem alguns que fazem promessas e não cumprem a troco de outros favores.

Clara Monteiro realizou em Março do ano passado, na Galeria Tamar Golan, em Luanda, a última mostra de pintura, denominada “Equilíbrio a Quatro Mãos”, com o pintor Mumpasi Meso. Nas 14 telas expostas, os criadores recorrem a várias técnicas, para fazer uma viajam pelo surrealismo e trazer reflexões sobre a vida.

Nascida em Luanda, Clara Monteiro começou a trajectória artística em 1970, passando a dividir a vida artística, entre a pintura e a música. Participou em diversas exposições colectivas e individuais em Angola e no estrangeiro. Além de artista plástica é cantora, compositora e historiadora.

Investimentos preocupam artistas

Depois de quatro décadas dedicada a arte e com uma trajectória certificada de êxitos e também constrangimentos, artista Marcela Costa, que se “aposentou” por motivos de saúde a conselho de familiares, disse que o sector tem futuro, mas é importante, também, haver maior investimento.
Enquanto esteve no activo, a artista deixou algumas obras que poderiam servir, de exemplo de superação e dedicação ao amor a arte.

Em 2015, publicou o livro “Marcela Costa, Filha de Angola” onde conta parte da trajectória. Na altura, a tecelã comemorou quatro décadas de carreira com a inauguração da mostra “Retalhos de Angola”. Actualmente, a gostaria de poder produzir mais, “infelizmente o meu estado de saúde não é dos melhores”. Mas, adiantou, que enquanto esteve no activo procurou transmitir e encorajar a nova geração, em particular as mulheres, a conquistarem os sonhos com dedicação e trabalho árduo.

Marcela Costa é natural do Golungo Alto, província do Cuanza Norte. Depois de passar pela antiga escola do Barracão, em Luanda, fez o curso de Tecelagem Artística no ano de 1984, no Instituto Sueco ASDI, em Estocolmo. Criadora da galeria Celamar, na ilha de Luanda, a artista não se sente realizada, apesar de todo o contributo dado às artes.

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