Em 2018, o Sistema de Deteção de Desmatamento em Tempo Real (DETER), desenvolvido pelo INPE, com base em alertas de desflorestação identificados por satélite, observou 4.946 quilómetros quadrados de floresta desmatada.

Tendo em conta apenas os dados de dezembro último, a desflorestação na Amazónia aumentou 183% em relação ao mesmo mês de 2018, segundo dados do DETER.

Em julho e agosto de 2019 foi registado um aumento da desflorestação de 278% e 222% face aos meses homólogos, respetivamente.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta.

Tem cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (pertencente à França).

A política ambiental é uma questão delicada no Brasil, com o Presidente do país, Jair Bolsonaro, a causar polémica internacional quando tentou, em agosto passado, minimizar o aumento dos incêndios florestais na Amazónia brasileira, acusando a França de tentar retirar a soberania do país.

Em agosto último, o ex-presidente do INPE, Ricardo Galvão, foi demitido pelo Governo após ser acusado de exagerar na escala de desflorestação no país sul-americano.

A exoneração de Ricardo Galvão do INPE causou forte repercussão na comunidade científica brasileira e internacional.

Na ocasião, Jair Bolsonaro sugeriu que o cientista poderia “estar ao serviço de alguma organização não-governamental (ONG)”, por ter apresentado dados elevados sobre a desflorestação no país.

Em dezembro, Ricardo Galvão foi distinguido como um dos 10 cientistas mais importantes do ano pela revista de referência britânica Nature.

No seu relatório anual divulgado na terça-feira, a ONG Human Rights Watch (HRW)criticou a atual política ambiental do Brasil.

A HRW diz que os planos do Governo de Bolsonaro, “efetivamente, deram luz verde às redes criminosas que praticam atividades ilegais, exploração madeireira na Amazónia e usam intimidação e violência contra indígenas, residentes locais e agentes ambientais que tentam defender a floresta tropical”.

“O Governo de Bolsonaro deve parar de enfraquecer as proteções ambientais e adotar medidas contra grupos criminosos que destroem a floresta Amazónia, ameaçando e atacando os defensores florestais”, afirmou a ONG.

A HRW acrescentou que, “sem nenhuma evidência, o Governo incriminou as ONG pelos incêndios na Amazónia, enquanto falhou na luta contra grupos criminosos que desflorestam e queimam a floresta para instalar campos e pastagens no seu lugar”.

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