“A desvalorização do kwanza é um processo no qual o Governo está a tentar liberalizar o regime económico, procurando uma maneira mais justa, eficiente e transparente de leiloar a aquisição e disponibilização de moeda estrangeira, e é uma das principais razões para ver este nível de depreciação”, disse Sherif Khaled em entrevista à Lusa em Abidjan, à margem da reunião extraordinária de governadores para aprovação do aumento de capital do BAD.

“Esta maneira é a forma certa de atuar, mas obviamente tem um efeito abrangente em toda a economia, e é induzida parcialmente pela política do governo para retificar a situação atual”, acrescenta o banqueiro, descrevendo a situação anterior, em que havia uma limitação à oscilação da moeda, como um obstáculo ao crescimento.

“A contínua dependência do petróleo diminui as perspetivas de crescimento e tem um efeito direto na moeda local”, explicou Sherif Khaled, notando que a queda do kwanza nas últimas semanas “não é surpreendente”, lembrando que “o Banco Nacional de Angola (BNA) adotou um regime de câmbio flexível, implementando um processo com o objetivo de garantir que a taxa de câmbio não é um impedimento ao crescimento económico”.

A nível de política económica geral, o vice-presidente do BAD com o pelouro da Integração e Desenvolvimento Regional aplaudiu as reformas lançadas pelo Executivo e disse que “há uma visão clara por parte do Governo da necessidade de diversificar a economia” e torná-la menos dependente do petróleo.

“Eles perceberam o problema e começaram a resolvê-lo de uma maneira que não víamos há muitos anos”, disse Khaled, quando questionado sobre se notava deste Governo um empenho maior do que no anterior.

“Sobre isso, o que posso dizer é que vejo neste Governo um reconhecimento do problema, uma visão para uma correção coerente, e isso é muito encorajador, não só para o BAD, mas também para os nossos parceiros das instituições de financiamento multilateral como o Banco Mundial ou o Fundo Monetário Internacional”, respondeu o banqueiro.

O BNA anunciou em meados de outubro uma série de medidas tomadas na reunião extraordinária do Comité de Política Monetária, entre as quais o fim da margem de 2% sobre a taxa de câmbio de referência que era praticada pelos bancos comerciais na comercialização de moeda estrangeira no mercado interbancário e aos clientes.

No início do ano, o BNA tinha já retirado o limite de 2% imposto aos bancos no leilão de divisas e elimina agora a margem de 2% que os bancos podem aplicar, esperando encontrar um equilíbrio cambial até ao final do ano.

Publicidade