“A depreciação do kwanza é negativa, do ponto de vista da análise do crédito, para os bancos angolanos porque vai prejudicar a qualidade dos ativos e de capital, suplantando quaisquer benefícios nos próximos 18 meses”, escrevem os analistas da Moody’s.

Num comentário à depreciação do kwanza, que caiu 24% em outubro face ao dólar, enviado aos clientes e a que a Lusa teve acesso, os analistas escrevem que a queda da moeda vai criar vulnerabilidade para os bancos angolanos porque 28% dos empréstimos eram, em março deste ano, concedidos nesta moeda.

“Os bancos vão ter vulnerabilidades na qualidade dos ativos porque uma proporção significativa do portefólio é denominado em dólares, e uma proporção significativa de empréstimos em moeda estrangeira foram dados a clientes com receitas em kwanza”, argumenta a Moody’s.

“A desvalorização do kwanza reduziu a capacidade de pagamento por parte dos clientes, que agora precisam de um maior fluxo de kwanzas para cumprirem os pagamentos em moeda estrangeira”, diz a Moody’s.

A depreciação vai também levar a uma subida dos preços, “o que vai diminuir o poder de compra das famílias, reduzir a atividade económica e provavelmente aumentar as taxas de incumprimentos financeiro”, acrescentam ainda os analistas, que esperam que haja uma diminuição dos rácios de capital dos bancos.

Ainda assim, apesar dos efeitos negativos para o sistema financeiro a curto prazo, “a decisão do Banco Nacional de Angola de avançar para uma taxa de câmbio mais definida pelo mercado é positiva para o sistema”, conclui a Moody’s.

Depois de uma desvalorização acentuada face ao dólar, logo após o anúncio da liberalização da taxa de câmbio, chegando a transacionar nos 497 kwanzas face ao dólar, em 29 de outubro, a moeda angolana negociava na sexta-feira num valor médio de 463 kwanzas face à moeda norte-americana.

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