O problema dos transportes continua a ser um dos “empecilho”s no processo de integração regional de Cabo Verde, consideram os deputados cabo-verdianos eleitos pelo círculo da África e integrantes do Parlamento da CEDEAO.

Em entrevista à Inforpress, no quadro das celebrações do Dia da África, que se assinala hoje, 25 de Maio, tanto o deputado do MpD (poder) como o do PAICV (oposição), realçaram a necessidade de o país reforçar o processo da sua integração junto da CEDEAO e do continente Africano, bem como alguns passos dados nesse sentido.

O deputado do Movimento para a Democracia (MpD) Orlando Dias, eleito pelo círculo da África, destacou a importância da integração económica, social e política dos países, salientando que Cabo Verde deu nos últimos tempos “passos importantes” nesse sentido.

“Agora temos um ministério específico para a problemática da integração regional e africana. Cabo Verde tem as condições básicas importantes, já que é um dos países com melhor democracia em África, com estabilidade política, social e económica, condições básicas para se integrar”, disse.

Entretanto, sublinhou que pela pequenez do país e pelo reduzido número de habitantes a integração regional de Cabo Verde se afigura ainda muito mais importante.

“O mercado da CEDEAO tem cerca de 340 milhões de habitantes e Cabo Verde têm 500 mil habitantes. É evidente que estando integrado, podemos fazer trocas económicas, importar, mas também exportar até quadros para trabalhar na CEDEAO e, desta forma, teremos um mercado grande. Por isso é que Cabo Verde precisa e deve reforçar o processo de integração”, acrescentou.

Orlando Dias frisou ainda que são as próprias regiões e países desenvolvidos como a Europa, os EUA, a Rússia e a China, entre outros, que precisam de Cabo Verde integrado na Comunidade Económica e no continente africano, para poderem aceder ao grande mercado africano.

O problema que tem imperado a total integração tem a ver com os transportes para o reforço dessas relações económicas.

Neste particular, o deputado destaca as melhorias registadas, nos últimos tempos, ao nível do dos transportes aéreos que, entretanto, tiveram uma quebra, devido à pandemia da Covid-19.

O deputado demonstrou-se, entretanto, ciente de que o reforço das relações económicas só acontecerá com as ligações marítimas, através da implementação do projecto “corredor Abidjan/ Bissau/Dakar/Praia, existente há já algum tempo.

Na mesma linha de ideia, o deputado do PAICV Carlos Delegado, membro do parlamento da CEDEAO, disse acreditar que com esse projecto de transporte a região e Cabo Verde poderão ter resultados efectivos no processo de integração económica.

“Eu conheço algumas medidas que têm sido tomadas nesses últimos tempos e que podem apresentar resultados efectivos. Eu sei de um projecto em curso sobre a política de transportes aéreos que foi, entretanto, interrompido devido à pandemia da Covid-19. Trata-se de um projecto importante que pode contribuir para revolucionar o turismo no continente africano”, sustentou

Entretanto, o deputado do PAICV sublinhou a necessidade de Cabo Verde direccionar-se mais para o continente africano, aproveitando ao máximo o “grande projecto no sector do turismo existente no seio da organização regional”.

Para já, afirma que o arquipélago cabo-verdiano, dado à sua especificidade turística, tem todas as condições para acolher a sede do Centro Regional do Turismo da CEDEAO.

Em termos políticos, o deputado do MpD, Orlando Dias frisou que Cabo Verde tem excelentes relações ao nível do Parlamento da CEDEAO, com diversos deputados cabo-verdianos a ocuparem cargos nos órgãos, estando o país com o processo concluído para abertura de uma embaixada em Abuja, junto da organização e da Nigéria.

Orlando Dias assinala, com satisfação, o facto da cidade da Praia acolher a sede do Centro de Energias Renováveis da CEDEAO (ECREE), do Instituto de África Ocidental, estando o país a lutar para receber também o Centro de Turismo.

O continente africano assinala hoje o Dia de África, marcado, este ano, pela luta contra a covid-19 numa região a braços com vários conflitos e onde a integração económica continua longe do desejado.

Em Maio de 1963, à medida que a luta pela independência do domínio colonial ganhava força, líderes de Estados africanos independentes e representantes de movimentos de libertação reuniram-se em Adis Abeba, na Etiópia, para formar uma frente unida na luta pela independência total do continente.

Da reunião saiu a carta que criaria a primeira instituição continental pós-independência de África, a Organização de Unidade Africana (OUA), antecessora da actual União Africana.

A OUA, que preconizava uma África unida, livre e responsável pelo seu próprio destino, foi estabelecida a 25 de Maio de 1963, que seria também declarado o Dia da África.

Em 2002, a OUA foi substituída pela União Africana, que reafirmou os objectivos de “uma África integrada, próspera e pacífica, impulsionada pelos seus cidadãos e representando uma força dinâmica na cena mundial”.

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