Num comunicado a dar conta da “resolução geral” do conclave do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), considera-se que a intervenção de João Lourenço, também Presidente da República angolana, “traçou as linhas de ação para os novos tempos” num partido que está a viver um “momento dinâmico e particular”.

Nesse sentido, o MPLA refere que João Lourenço reiterou a necessidade de tudo se fazer para que o partido se constitua como um “forte instrumento de ação política de apoio e de suporte às transformações políticas, económicas e sociais que devem ocorrer em Angola”.

Para o MPLA, o líder do partido “baixou orientações concretas” que deverão ser de “cumprimento rigoroso” para todos os órgãos e organismos intermédios e nacionais do “Éme”, “vocacionando-o para enfrentar com maior fulgor os desafios do futuro, onde se priorizam as eleições autárquicas”, previstas para 2020.

Sobre o alargamento da composição do Comité Central – entraram mais 134 membros, que se juntaram aos restantes 363, perfazendo um total de 497 -, o MPLA lembra que João Lourenço o justificou como forma de o tornar “mais consentâneo” com a atual conjuntura de moralização da sociedade, de combate à corrupção e à impunidade, de maior abertura democrática, com reais ganhos no que diz respeito à liberdade de imprensa, de pensamento, de expressão e de manifestação.

“Este congresso, embora extraordinário, passará para a história como aquele que melhor cumpriu com a responsabilidade de garantir pelo menos 40% do género nos órgãos de direção do partido, tendo mesmo ultrapassado aquele que mais rejuvenesceu a sua direção, aquele que, em termos de escolaridade, elegeu para o Comité Central mais membros com formação superior”, adianta a resolução geral, que cita as palavras do líder do MPLA.

Sempre a citar João Lourenço, a resolução geral recorre ainda às declarações iniciais do líder do partido quando definiu que os novos desafios do MPLA passam pela necessidade “imperativa” do fomento da produção interna e das exportações e do emprego, do resgate da vida dos municípios e a ambição de conquistar a esmagadora maioria das câmaras no quadro das autárquicas.

No que diz respeito à materialização do principal lema do MPLA, “Melhorar o que está bem, corrigir o que está mal”, a resolução geral menciona novamente João Lourenço a destacar a necessidade de se passar das palavras aos atos com “verticalidade moral, sem ceder a pressões, chantagem ou, mesmo, ameaças”.

No quadro da transição política em curso no MPLA, os 2.448 delegados presentes, dos 2.560 previstos, “manifestaram plena concordância com a visão” de João Lourenço e assumiram o compromisso de honra de o apoiar “sem reservas”.

“Neste contexto, o processo de resgate da pureza do partido, que tem vindo a ser conduzido intensamente pelo líder do MPLA, o camarada João Manuel Gonçalves Lourenço, numa ação sem precedentes, foi firme e inquestionavelmente apoiado pelos delegados ao congresso, numa demonstração clara que o MPLA e os seus militantes estão decididos a romper com as atitudes negativas do passado, promovendo a prática de defesa dos valores da urbanidade, probidade, solidariedade e responsabilidade, lutando sem reservas contra a corrupção, o nepotismo, a impunidade e a bajulação”, lê-se no documento.

Na resolução geral, o MPLA reitera o reconhecimento dos esforços que têm sido empreendidos pela Organização das Nações Unidas, a União Africana e outras organizações internacionais em prol da resolução pacífica dos conflitos, particularmente em África, visando a preservação da paz e da estabilidade, fatores importantes para a promoção do desenvolvimento harmonioso e a consequente redução das desigualdades e da pobreza.

Após o xongresso, o novo Comité Central, na sua primeira reunião ordinária, elegeu o Bureau Político, alargado de 55 para 72 membros, bem como escolheu Paulo Pombolo como secretário-geral do MPLA, substituindo Boavida Neto, em listas únicas definidas por João Lourenço.

Publicidade