“Essas dívidas têm de ser vistas com toda a seriedade e trabalharemos no sentido de apurar responsabilidades, incluindo criminais, caso seja necessário”, afirmou Jorge Bom Jesus hoje, no final de uma visita as instalações do Tribunal de Contas, em São Tomé.

“Entregaremos aquilo que for necessário entregar à Justiça porque não nos compete julgar. Há a separação dos poderes, portanto, o Governo constata, faz o apuramento e entrega a quem de direito que são os tribunais”, acrescentou.

Jorge Bom Jesus garantiu que o valor de 70 milhões de dólares já apurados pode aumentar, uma vez que “os trabalhos ainda não estão completos”.

“Estamos ainda em cima de 70 milhões de dólares por aí, [mas] deve haver muito mais”, declarou.

O chefe do executivo de São Tomé sublinhou que o endividamento geral do país é dívida externa somada à dívida interna, mas é esta a que “obstaculiza mais e fragiliza as empresas nacionais, todo o tecido empresarial nacional”.

Jorge Bom Jesus lamentou ainda que as dívidas do Estado tenham levado algumas empresas à falência.

“Há muitas empresas falidas, muitas empresas debilitadas porque é o próprio Estado que não cumpre com as suas responsabilidades”, salientou.

“Nós tomámos conhecimento dessas contas que foram sonegadas durante algum tempo. Normalmente, lidava-se mais com aquilo que era a dívida externa, mas este Governo começou a ver com outros olhos e com maior seriedade e responsabilidade as dívidas internas”, explicou o primeiro-ministro.

Em finais de junho, o FMI acusou o Governo do ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada de ter ocultado a essa instituição várias dívidas e despesas num montante global de 3% do produto interno bruto, que motivaram que São Tomé e Príncipe estivesse atualmente com uma dívida “praticamente descontrolada”.

“Quando estivemos cá em abril, descobrimos que tinham sido feitas despesas na ordem dos 2% do produto interno bruto que não tinham entrado nas contas que nos tinham sido apresentadas anteriormente”, declarou Xiangming Li, chefe da missão do FMI para São Tomé e Príncipe.

“Esses 2% correntes das despesas que não estavam contabilizadas e 1% corrente dos empréstimos contraídos pelas entidades públicas nos bancos comerciais significam um aumento de 3% do défice, o que faz com que o país exceda o indicador de referência estabelecido”, acrescentou a responsável do FMI.

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