Djodje em estreia no Festival Nha Santa Catarina leva “pequena enchente” ao delírio

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O artista e produtor cabo-verdiano radicado em Portugal Djodje, que pisou esta madrugada, pela primeira vez, o palco do Festival Nha Santa Catarina, fez a “pequena enchente” do primeiro dia do certame dançar, cantar e a levou ao delírio.

O certame, inicialmente agendado para começar às 22:00, registou um atraso de mais de duas horas, tendo principiado depois da meia-noite, com a atuação de talentos locais Miguel Semedo e PCC.

Apesar da “boa música”, estes artistas atuaram praticamente sem público no recinto, tendo estes lamentado a fraca assistência do público, o que os “desmotiva”, tendo este cenário mantido durante a atuação do grupo Os Tubarões, que completou 50 anos de carreira, a 19 de Fevereiro.

O grupo, que teve uma paragem de 22 anos e que agora regressou aos palcos, desta feita com novos elementos, mormente Arlindo Rodrigues (vocalista) e Bruno, Lima trouxe um repertório “recheado” da música tradicional, ou seja, morna, coladeira, funaná e tabanca.

Os Tubarões, que prometem dar continuidade à música tradicional cabo-verdiana, avançaram para este mês uma nova música a ser lançada acompanhada com do videoclip intitulado “Rapaz ka di confiança”, um funaná composto pelo saxofonista Totinho, que vai anteceder um concerto de comemoração dos 50 anos do grupo, aprazado para 29 de Novembro, na Cidade da Praia.

O grupo, que desde os anos 80 não atuava em Santa Catarina e que praticamente fez a sua atuação à semelhança dos talentos locais sem público, cedeu o palco a artista Soraia Ramos.

Aliás, o público só começou a chegar quando Soraia Ramos, que pisou o palco do Festival de Nha Santa Catarina pela primeira, deu início a sua atuação por volta das 02:00, onde cantou e encantou a “pequena enchente” que respondeu presente, sobretudo com ao som música “Bai”.

Numa curta declaração à imprensa, a artista considerou a sua atuação de óptima e agradeceu o carinho recebido dos fãs.

Logo de seguida entrou no palco Lejemea, já um conhecido dos festivaleiros deste festival e da região Santiago Norte.

O também produtor, que assim como Soraia Ramos, fez “aquecer” o recinto, onde fazia muito frio, avançou que um novo CD vai estar no mercado em início de 2020, tendo em conta que mais de 50 por cento (%) do mesmo já está concluído.

Segundo ele, o novo trabalho discográfico vai conta com três ou quatro parcerias, sem, no entanto, avançar nomes de artistas para estes duetos.

Porém, um dos pontos mais altos do festival aconteceu por volta das 04:30, quando Djodje, que teve maior número de público, foi ovacionado pela assistência, que ficou ao rubro com as suas músicas e entrega e performances dos seus dançarinos.

Aliás, o público e os fãs cantaram todas as suas músicas do alinhamento até depois das 05:00, com destaque para “Geral”, “Não vai”, “Só ses boca”, “Dói demais”, “Atrevido”, “Zombam”, “1 minuto”, “A fila anda”, “I Love You”, “La me ki nos é bom”, entre outras.

O artista, que diz ter gostado de cantar para o seu público que o transmitiu vibração e carinho, avançou que nos próximos dias a Broda Music vai trazer novidades para Cabo Verde, principalmente para a ilha de Santiago.

O momento seguinte foi reservado ao artista e produtor Gilson Furtado, que subiu ao palco depois das 06:00 e tocou as músicas do seu novo CD “É Possível”, marcado pelo funaná, afro-house e zouk.

“De Volta”, “Duas Caras” e “Hoje tem” foram algumas músicas que marcaram o seu repertório, com o público contar todos os temas, pois, em causa estava a oferta de um CD e t-shirt.

O artista, que é dono da produtora Gilson Pro, mostrou-se satisfeito por actuar neste festival e cantar para o “seu povo”, tendo em conta que ele é deste concelho do interior de Santiago.

Prometeu antes do final do ano um novo single, que virá acompanhado com um videoclip. Aliás, informou que vai ser uma prenda de Natal para os fãs e ainda novas músicas produzidas por si para outros artistas.

Já com o sol a raiar, Trakinuz, que pisa pela primeira vez o palco do Festival de Nha Santa Catarina, foi homenageado por uma fã, e à semelhança do Djodje e do Gilson, distribuiu t-shirt e cantou os “Nkre po sabi”, “Vencidor”, “Foriano”, “Líder de nha alkateia”, tendo levado o público, sobretudo feminino, ao delírio, ao som do hip hop crioulo.

Trakinuz, que já pisou todos os palcos dos festivais municipais da região Santiago Norte e que agradeceu o carinho do público, prometeu para breve o seu primeiro CD, cujas músicas vão sendo lançadas aos poucos uma a uma.

O primeiro dia do Festival Nha Santa Catarina, orçado em cerca de 20 mil contos e que este ano teve como palco o Estádio Municipal de Cumbém , foi marcado pela fraca adesão do público, apesar de os presentes terem considerado este ano o cartaz como melhor dos anos anteriores.

O primeiro dia do certame terminou perto das 08:00, ao som do fenómeno “Cotxi pó”, do Titio de Belo Freire.

Alguns entrevistados da Inforpress disseram que esta fraca adesão se deve à morte do policial encontrado em um terreno agrícola em Chão dos Santos, cuja autópsia confirmou que foi “morte natural” e de uma jovem que foi morta esta sexta-feira por ter tentado evitar briga de um casal em Nhagar.

O autor do crime foi preso no mesmo dia.

Para este sábado, estão previstas atuações de artistas santa-catarinenses Levi´s Pereira e Zé Badiu, que antecedem a Moura, Garry, Big-Z Patronato, Gama, Mika Mendes, Tony Fika, o cabeça-de-cartaz Ky-Mani Marley e Fidjus di Codé di Dona.

As festividades do Dia da Santa Padroeira Santa Catarina e do Município, que comemora os seus 185 anos, no próximo dia 25 de Novembro, culminarão com uma missa solene, em honra da santa , em Cruz Grande, no mesmo dia.

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