Vários países, incluindo o Qatar, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Índia contribuíram nos últimos meses com fundos suplementares de 238 milhões de dólares (205,8 milhões de euros) para a agência da ONU para os refugiados palestinianos, UNRWA.

A informação foi dada esta terça-feira aos jornalistas pelo comissário-geral da agência, Pierre Krähenbühl, que assinalou o “montante muito alto” daquela ajuda, vinda igualmente de alguns países europeus e da Turquia, após o corte de doações dos Estados Unidos. O comissário-geral da UNRWA lamentou, no entanto, que a situação de financiamento da agência continue “crítica”, adiantando que são precisos mais 200 milhões de dólares (173 milhões de euros) este ano para “sustentar as operações” da agência.

A UNRWA, que presta ajuda ao nível da educação e saúde a três milhões de palestinianos dos cinco milhões registados como refugiados, encontra-se em dificuldades devido à decisão norte-americana de reduzir a sua contribuição, num contexto de tensões americano-palestinianas, nomeadamente devido ao reconhecimento por Washington de Jerusalém como a capital de Israel. Historicamente o principal país doador da agência, os Estados Unidos cortaram no início do ano a sua ajuda à UNRWA, de 350 milhões de dólares (301,6 milhões de euros) em 2017 para 60 milhões (51,7 milhões). Na sexta-feira, Washington anunciou que não fará “contribuições adicionais” para a agência.

Krähenbühl considera que a decisão dos Estados Unidos não está relacionada com o desempenho da organização, mas sim com “motivos políticos”. O responsável rejeitou as alegações de Washington sobre corrupção e falta de disciplina financeira daquela entidade, observando que a Agência da ONU para a Ajuda aos Refugiados Palestinianos é “uma das organizações humanitárias mais escrutinadas”.

Criada em 1949, a UNRWA apoia refugiados palestinianos – sobreviventes ou descendentes das centenas de milhares que fugiram ou foram expulsos durante a guerra que se seguiu à criação do Estado de Israel em 1948 – em Jerusalém Oriental, Cisjordânia, Gaza, Líbano, Síria e Jordânia. A agência, que emprega mais de 20 mil pessoas, a grande maioria palestinianos, anunciou no mês passado a decisão de despedir mais de 250 em Gaza e na Cisjordânia ocupada.

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