O documentário “Bidon – Nação Ilhéu” dos realizadores cabo-verdiano Celeste Fortes e Edson Silva, vai ter a sua ante-estreia nesta quinta-feira, na sede da CPLP, em Portugal, no âmbito da comemoração do Dia da Língua Portuguesa e da Cultura.

A informação foi avançada hoje à Inforpress, pela realizadora Celeste Fortes, tendo mostrado a satisfação da sua equipa pela escolha deste documentário, no meio de mais oito, para celebrar esta data.

“A CPLP tem a mobilidade como um dos temas de comemoração e no Bidon podemos ver como é que as pessoas conseguem se mover e emigrar para fora, mas outras pessoas não conseguem e é só com o Bidon que conseguem ter o acesso ao estrangeiro”, informou.

O Documentário “Bidon – Nação Ilhéu” foi um dos nove projectos seleccionados para receber apoio financeiro, no âmbito do concurso internacional do programa audiovisual “DOCTV CPLP III” de 2018.

A Éden produções – produtora do documentário, recebeu, na altura, 50 mil euros (5,5 mil contos) para a produção deste documentário com uma duração de 52 minutos, estipulado pela organização, e cuja execução estava a cargo da realizadora Celeste Fortes e Edson Silva.

Segundo revelou à Inforpress, este documentário retrata a estória de três personagens femininas e vai mostrar como é que cada um vive a sua relação com o bidão que chega de fora.

Um dos casos, avançou, é de uma menina que vive permanentemente em contacto com a sua mãe, que vive nos Estados Unidos, através do envio de bidões. Outro caso, continuou, é de uma senhora que tem o sonho de receber o bidão, mas nunca o recebeu.

“Ao longo do documentário, vamos ver como é que ela alimenta este sonho de receber um bidão, inclusive porque ela já viveu nos Estados Unidos, mas apesar disso, nunca recebeu um bidão e a partir do percurso que ela faz por algumas lojas da ilha vai procurando as memórias dessa experiência de vida lá fora e vai alimentando este sonho de receber um bidão”, revelou.

A terceira personagem, informou, é uma “rabidante” que compra os produtos que vêm nos bidões e a partir da venda desses produtos ela sustenta a sua família.

O “Bidon – Nação Ilhéu”, segundo a mesma fonte, costura essas três estórias para mostrar como é que o bidão é uma peça fundamental na economia e na sustentabilidade do país.

Por razões logísticas e orçamentais, informou que toda a estória foi construída na Ilha de São Vicente, entretanto, sublinhou que o curioso é que a partir de São Vicente foi possível ter contacto com outras ilhas e outros países, a partir deste projecto.

Depois desta ante-esteria em Portugal, “Bidon – Nação Ilhéu” deverá ser exibida, em simultâneo com os restantes oitos documentários seleccionados no âmbito do DOCTV III, nas televisões públicas, de cada país.

Depois dessa exibição, informou que vão fazer a estreia pública na ilha de São Vicente e em Santiago e de seguida vão lançar o documentário nos festivais.

De referir para além de “Bidon – Nação Ilhéu”, a DOCTV III seleccionou mais outros projectos inéditos para apoiar, designadamente: “Elinga teatro 1988/2008”, de Paulo Azevedo (Angola), “Entre a Porta e a Rua”, de Rafael Figueiredo (Brasil), “Bijagó o Tesuro Sagrado”, de Domingos Sanca (Guiné Bissau), “Ritmo de Ida e Volta”, de Ngolo Leticia Idabe Makuale (Guiné Equatorial).

De Moçambique foi seleccionado o projecto” A experiência de Moçambique na Gestão de mudanças climáticas 2000-2018″, de Tânia Machonisse, de Portugal “Margot Dias, uma viagem aos Macondes de Moçambique”, de Catarina Alves Costa, de São Tomé e Príncipe ” O Estado Crioulo de África”, de Teodora de Ceita da Luz Martins, e de Timor Leste “Música da Resistência”, de Francisca Maia.

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