A nova vacina, fabricada pela multinacional Johnson & Johnson, será administrada, em duas doses com 56 dias de intervalo, a populações em risco em áreas onde não existe transmissão ativa do Ébola como uma ferramenta adicional para alargar a cobertura contra o vírus.

“Ao decidirem disponibilizar uma segunda vacina experimental para alargar a proteção contra este vírus mortal, as autoridades da RDCongo mostraram uma vez mais liderança e determinação em acabar com a epidemia tão rápido quanto possível”, disse o diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Desde agosto de 2018, registaram-se na República Democrática do Congo 3.128 casos de Ébola, que causaram 2.095 mortes, segundo os dados mais recentes do Ministério da Saúde congolês.

“A segunda vacina ajudará a assegurar que temos uma ferramenta adicional para prevenir o alastramento da epidemia e uma ferramenta potencial para proteger as populações antes que a doença atinja as áreas em risco”, apontou, por seu lado, a diretora da OMS para África, Matshidiso Moeti.

A vacina da Johnson & Johnson irá complementar a atual vacina, fabricada pela multinacional Merck, que, segundo a OMS, se tem revelado “altamente eficaz e segura”, tendo ajudado a proteger milhares de vidas.

Esta vacina continuará a ser administrada a todas as pessoas com risco elevado de infeção pelo vírus do Ébola, incluindo todas aquelas que tenham estado em contacto com doentes confirmados.

Mais de 220 mil pessoas foram já vacinadas durante a atual epidemia de Ébola na RDCongo.

Em maio, o grupo de especialistas da OMS em imunização (SAGE, na sigla em inglês) recomendou o ajustamento das doses da vacina da Merck, bem como a avaliação da introdução de uma segunda vacina.

Foi ainda recomendada a criação de estações de vacinação móveis, para contornar os problemas de insegurança no país, e o aumento de pessoas abrangidas pela vacinação nas comunidades com transmissão ativa.

“As mudanças permitiram salvar milhares de vidas. Até ao momento, 973 pessoas infetadas com o vírus do Ébola foram tratadas com sucesso e tiveram alta dos centros de tratamento. Esperamos que o sobrevivente 1.000 regresse à sua comunidade nas próximas semanas”, disse Moeti.

Avaliação menos positiva faz a organização não governamental Médicos sem Fronteiras (MSF), que assinala que, apesar dos novos tratamentos e vacinas, a taxa de mortalidade (67%) da atual epidemia de Ébola é semelhante à da África Ocidental de 2014 -2016.

A MSF considerou, em comunicado, que não foi vacinado um número suficiente de pessoas elegíveis devido às limitações da OMS.

“O aumento do ritmo da vacinação e necessário e alcançável. Pelo menos 2.000 a 2.500 poderiam ser vacinadas por dia, em vez das atuais 500 a 1.000 como atualmente”, disse Isabelle Defourny, diretora de operações da MSF.

A responsável dos MSF sublinha que existe uma vacina segura e eficaz, há equipas prontas para a distribuir, há doses suficientes para aumentar a cobertura de vacinação e a grande maioria da população quer ser vacinada.

“No entanto, a OMS está a restringir a disponibilidade da vacina no terreno e os critérios de elegibilidade por razões que não são claras”, acrescentou.

Por isso, a organização reclama a criação de um comité internacional independente para “gerir de forma transparente os `stocks` de vacinas e a sua distribuição”.

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