Trata-se do terceiro resultado anual positivo, após os aumentos de 1,3% em 2017 e 2018, que interromperam duas quedas acumuladas nos anos de 2015 e 2016, quando a economia brasileira entrou numa grave recessão e recuou quase 7 pontos percentuais.

“São três anos de resultados positivos, mas o PIB ainda não anulou a queda de 2015 e 2016 e está no mesmo patamar do primeiro trimestre de 2013”, afirmou Rebeca Palis, coordenadora das Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A especialista explicou que a maior contribuição para o avanço do PIB no ano passado “vem do consumo das famílias, que cresceu 1,8%” e que “pelo lado da oferta, o destaque foi o setor de serviços, que representa dois terços da economia”.

No ano passado, o Brasil registou subidas nos três principais setores que contribuem para a formação do PIB: a agropecuária aumentou (1,3%), a indústria (0,5%) e os serviços (1,3%).

O setor de serviços foi impactado principalmente por atividades de informação e comunicação, que cresceram 4,1%, atividades imobiliárias (2,3%) e o retalho (1,8%).

Na indústria, a atividade de eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos cresceu 1,9% em relação a 2018, puxada pelo crescimento de 1,6% na construção civil.

Já o destaque negativo ocorreu em indústrias extrativas, com queda de 1,1% no ano.

“A indústria teve um comportamento diferente em relação a 2018, puxada pelo crescimento na construção, após cinco anos de desempenho negativo. Já a indústria de transformação, que havia crescido mais em 2018, ficou estagnada em 2019”, ressaltou Rebeca Palis.

Na agropecuária, que tem um peso de apenas 5% no cálculo das riquezas produzidas no Brasil, os destaques foram lavouras como o milho, que registou crescimento de 23,6% e expressivo ganho de produtividade, do algodão (39,8%), laranja (5,6%) e feijão (2,2%).

O desempenho da pecuária brasileira no ano passado foi influenciado positivamente pelo estreitamento da relação comercial com a China, por conta da peste suína no país asiático.

O PIB per capita do Brasil, cálculo que divide o montante do PIB pela quantidade de habitantes de um país, variou 0,3% em termos reais.

A taxa de investimento em 2019 foi de 15,4% do PIB brasileiro, acima do observado em 2018 (15,2%). Já a taxa de poupança foi de 12,2%, menor do que o resultado de 12,4% obtido em 2018.

Entre os componentes da procura interna, houve avanço no consumo das famílias (1,8%), e na formação bruta de capital fixo, em 2,2%. Já o consumo do Governo recuou 0,4%.

No final do ano passado a economia brasileira desacelerou, o que coloca em causa as projeções do Governo brasileiro para 2020.

Em janeiro, a Secretaria de Política Económica do Ministério da Economia brasileiro chegou a anunciar a revisão da projeção de alta do PIB do país de 2,3% para 2,4%, mas os impactos económicos do novo coronavírus devem pressionar esta estimativa para baixo.

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