Com texto, cenografia e direção do dramaturgo José Mena Abrantes, o espetáculo é composto por quatro exercícios dramáticos (A vigia/Oh, mar /O clandestino /Do outro lado do mar), que aludem ao possível reflexo nas consciências individuais do fim do império colonial português.

Em 1975, o navio ‘Príncipe Perfeito’ realizou a última viagem de passageiros de Lisboa para Luanda. Na intimidade de cada um, começava a esboçar-se o fim agónico do império que o rei D. João II de Portugal, cognominado o ‘Príncipe Perfeito’, tão decisivamente ajudara a construir.

As situações a bordo, a que aludem os quatro momentos dramáticos da peça, podiam bem ter ocorrido nessa época, como reflexo nas consciências individuais das profundas transformações políticas ocorridas no período imediatamente anterior à Independência de Angola, em 11 de Novembro de 1975.

A peça é uma história comum, dos anos anteriores à Independência de Angola e à Revolução de Abril, que nos é revelada nestes episódios trágicos, na clausura de um navio que é a de um Estado, no tédio insuportável da navegação atlântica entre Lisboa e Luanda.

O espetáculo, a 52ª produção do Elinga Teatro, é levado à cena por Ana Clara Hibner, Cláudia Púcuta e Raul Rosário, que, na companhia do dramaturgo José Mena Abrantes, seguem viagem hoje para o Brasil.

Além do espetáculo “A Última Viagem do Príncipe Perfeito”, o dramaturgo angolano José Mena Abrantes, diretor do Festival Internacional de Teatro e Artes de Luanda, e os atores do Elinga Teatro participam, na sexta-feira, entre às 9h00 e às 13h30, na primeira edição da “Roda de negócios – cena Piauí” para artes. Na roda em causa, juntam-se artistas, programadores, curadores, gestores e produtores de relevantes iniciativas cénicas no universo de língua portuguesa. Além do encenador angolano, estarão na “Roda de negócios – cena Piauí” Pedro Santos (coordenador e curador do Festival Yesu Luso, Brasil), João Mello Alvim (diretor-geral do Tanto Mar, Portugal) e Joaquim Matavel (diretor-geral do Festival Internacional de Teatro de Inverno de Maputo (FITI), Moçambique).

Lançamento de Livros

Ainda na sexta-feira, às 19h00, Mena Abrantes procedeu ao lançamento dos livros “Filho Bem-Amado do Kongo” e “Kimpa Vita, a profetisa ardente”, no Café Genu Morais, na cidade de Teresina.
O livro “Filho Bem-Amado do Kongo” foi adaptado à dramaturgia por Mena Abrantes, a partir do romance do escritor congolês Wilfried Nsondé, “Um Oceano, Dois Mares, Três Continentes”, que fala sobre uma personalidade muito mal conhecida da História angolana.
Quanto ao trabalho sobre a profetisa Kimpa Vita, o livro leva o leitor por uma viagem de descoberta sobre a jovem que, entre os 18 e os 20 anos, depois de uma grave doença, dizia ter sido possuída por Santo António e pregou às multidões do Reino do Kongo, em meio a uma crise.

Espetáculos gratuitos, show musical, mesa de conversas, lançamentos de livros e apresentação de peça de teatro ao ar livre na Praça Pedro II, no Centro de Teresina, vão marcar a programação desta edição do FestLuso, no qual participam, além de Angola, grupos do Brasil, Portugal, Moçambique, Guiné-Bissau e Cabo Verde.

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