Em 2019 é proibido falhar

A Opinião de José Rodrigues Alentejo

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José Rodrigues Alentejo, Director Câmara de Comércio e Indústria de Angola

Aproveitando o ensejo do início de um novo ano, permitam-me um recado aos nossos parceiros do sector privado sobre a nova postura a assumir, a fim de partilharmos com o Executivo o esforço para a construção da nova Angola que se pretende, próspera e com desenvolvimento sustentado e inclusivo.

Tenho fé que 2019 marcará a aurora do regresso da economia angolana pelos caminhos do crescimento, ainda que moderado, tendo em conta que estamos a emergir de três anos consecutivos de recessão.

O pretérito ano caracterizou-se pela arrumação da casa, concretamente com o início da implementação do Programa de Estabilização Macroeconómica, o assumir do compromisso pela moralização da sociedade e o combate à corrupção, a concepção do Plano de Desenvolvimento Nacional 2018-2022, as missões de diplomacia económica, o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), e principalmente, o diálogo com todas as franjas da sociedade, resultaram no início da construção de um novo capital social.

É muito importante que uma revolução comportamental das instituições, família, empresas e o Estado venha acontecer, condição sine-qua-non, para que se efective o bem-estar, isto é, o desenvolvimento, uma nova imagem do país perante o mundo, uma estratégia clara e aceite para o desenvolvimento que se aspira.

A nova missão e a visão do rumo a seguir está translúcida, resta agora arregaçarmos as mangas para iniciar a obra com espírito de missão patriótica e empreendedor, pois foi-nos incumbida a missão da execução das tarefas no domínio económico, principalmente no âmbito do Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (PRODESI), programa que consideramos ser uma plataforma para a necessária parceria público-privada.

Entretanto, é justo conjugar o verbo no condicional, porque, além dos riscos que ainda pairam devido à dependência do petróleo, de sinais de abrandamento das economias desenvolvidas, e ainda, principalmente porque no passado assistimos a derrapagens consecutivas na implementação dos programas.

Visando promover a classe empresarial no âmbito do PRODESI, o Estado destaca a necessidade de uma aliança estratégica com o sector privado, como condição para a prossecução com eficiência e eficácia dos seus objectivos, assegurando na sua estrutura de coordenação e implementação a participação de representantes do sector empresarial.

As associações representativas do empresariado nacional precisam de se organizar para o diálogo permanente e eficaz com o Executivo.
Acalenta-nos perceber que com o PRODESI, o Estado afirma a sua disponibilidade para uma aliança estratégica com o sector privado, propõe-se melhorar o ambiente de negócios, tornando-o adequado à atracção de investimento privado, criar as infra-estruturas apropriadas para reduzir os altos custos de contexto da actividade produtiva, promover condições de articulações geográficas ou sectoriais de produções e de empresas interrelacionadas, bem como de fornecedores, prestadores de serviços e instituições associadas, especializadas num âmbito específico.

Ao sector privado caberá então aproveitar a utilidade deste ecossistema para a criação com inovação e de novos negócios, potenciar sinergias tecnológicas e o aproveitamento de infra-estruturas partilhadas e criar uma massa crítica para atrair clientes e recursos humanos.

O PRODESI destina-se a acelerar de forma focada e efectiva a diversificação da produção nacional e geração de riqueza num conjunto de produções e fileiras específicas a integrar em clusters com maior potencial de geração de valor e de exportação e substituição de importações, designadamente, alimentação e agro-indústria, recursos minerais, petróleo e gás natural, florestal, têxteis, vestuário, calçado e turismo e lazer”.

Assim, considero o PRODESI, a porta que proporciona o acesso às oportunidades de investimento e de negócios existentes tanto no mercado nacional tanto nos mercados externos que não deve ser desperdiçada pelo sector privado.

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