O presidente da ENH, Omar Mitha, disse hoje à agência de informação financeira Bloomberg que o primeiro encontro com os investidores acontecerá na próxima semana, em Joanesburgo, seguindo-se depois Londres, com o objetivo de angariar 1,5 mil milhões de dólares (cerca de 1,3 mil milhões de euros), para garantir a participação de 15% no projeto da Área 1, liderado pela francesa Total.

Depois do início da produção de gás, “o fator risco vai ser reduzido e teremos algum tipo de melhoria” em termos financeiros, explicou Omar Mitha, afirmando que o financiamento pode vir de bancos, de fundos de investimento ou até de participações no projeto.

Esta será a primeira vez que uma empresa pública moçambicana vai recorrer aos mercados financeiros internacionais depois da reestruturação da dívida soberana, acordada com os investidores e concretizada no final de outubro, e depois de a agência de notação financeira Fitch ter retirado o país da lista de soberanos em ‘default’.

Os projetos liderados pela norte-americana Exxon e ENI (Área 4) e pela francesa Total (Área 1) estão situados perto da fronteira com a Tanzânia, permitindo a sua exportação para os mercados mundiais, mas enfrentando, ainda assim, o risco de ataques armados que nos últimos dois anos fizeram centenas de vítimas mortais.

Omar Mitha disse que a situação deverá melhorar devido aos “esforços do governo” e a um acordo assinado com os promotores do projeto para garantir a segurança das operações, mas escusou-se a dar mais detalhes, argumentando que os acordos são confidenciais.

O projeto de gás natural liquefeito da Área 1 vai gerar cerca de 38 mil milhões de dólares (34,3 mil milhões de euros) de receitas para Moçambique durante a duração do projeto, devendo o executivo encaixar ainda mais com o projeto da Área 4, ainda maior.

O plano de desenvolvimento da Área 1 da Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, a província mais a norte de Moçambique, está avaliado em 25 mil milhões de dólares (cerca de 22,5 mil milhões de euros) – o dobro do Produto Interno Bruto (PIB) do país, ou seja, a riqueza que o país produz a cada ano.

Os projetos de gás natural devem entrar em produção dentro de aproximadamente cinco anos e colocar a economia do país a crescer mais de 10% ao ano, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI) e outras entidades.

Para lá chegar, o consórcio da Área 1 vai furar o fundo do mar e sugar o gás natural através de 40 quilómetros de tubagens para uma nova fábrica em que vai ser transformado em líquido, na península de Afungi, distrito de Palma.

Ao lado desta fábrica vai ser construído um cais para navios cargueiros especiais poderem ser atestados com gás natural liquefeito (GNL), que vai ser vendido sobretudo para mercados asiáticos (China, Japão, Índia, Tailândia e Indonésia), mas também europeus, através da Eletricidade de França, Shell ou a britânica Cêntrica.

Haverá ainda uma parcela mais pequena que vai ficar no país e que será canalizada para produção de eletricidade, transformação em combustíveis líquidos e adubos, em Moçambique.

O plano da Área 1 prevê inicialmente duas linhas de liquefação de gás com capacidade total de produção de 12,88 milhões de toneladas por ano (medição para a qual se usa a sigla mtpa), sendo que o empreendimento pode crescer até oito linhas.

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