“A Câmara do Petróleo e Gás é uma associação não lucrativa com objetivo de criar uma plataforma onde as pequenas e médias empresas possam aglutinar e preparar-se para a indústria de petróleo no país”, disse Florival Mucave, presidente da CPGM, em entrevista à Lusa.

A CGPM, que conta com 27 empresas, 19 das quais moçambicanas, pretende colmatar um dos maiores desafios para os empresários moçambicano no setor de gás: a falta de conhecimento sobre as oportunidades da indústria.

Nos objetivos, a nova câmara surge como um “instrumento setorial” para dar possibilidade às empresas de se informarem, cooperarem e interagirem com as multinacionais, além de procurar apoiar a capacitação e formação das pequenas empresas moçambicanas.

Para Florival Mucave, com o advento da indústria e as perspetivas da entrada de mais atores na exploração, faltava uma associação deste setor, uma entidade que assumisse o objetivo de “tratar especificamente desta matéria”.

Embora otimista com o advento da indústria, Florival Mucave alerta para a necessidade de o país gerir as expectativas sobre os ganhos que virão do setor.

“Não é o facto de termos reservas de gás que vai fazer de Moçambique um país rico. É verdade que as reservas de gás pertencem a Moçambique, mas a molécula de gás que sai pertence ao investidor”, alertou.

Mucave entende que um dos principais benefícios com a indústria está na criação de empregos e as oportunidades para o setor empresarial, além dos impostos que serão pagos pelas multinacionais.

“Os benefícios não virão de um dia para outro, vai ser por fases, e alguns processos vão ser muito lentos”, afirmou Mucave, que também é vice-presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique – CTA, para pelouro dos Recursos Minerais, Hidrocarbonetos.

“Se as empresas conseguem participar vendendo bens e serviços há um efeito multiplicador na economia”, disse Mucave, acrescentando que os impostos pagos pelas multinacionais “vão beneficiar o Estado, mas também o cidadão, pois o dinheiro vai construir escolas, estradas e hospitais”.

A criação de um Fundo Soberano, por outro lado, para as receitas do gás é vista pelo é vice-presidente da CTA como “importante”, na medida em que os recursos devem procurar beneficiar também as gerações que se seguem.

“Não há dúvidas que a melhor maneira de gerir [as receitas de gás] é [através do] Fundo Soberano e garantir que elas sirvam para as gerações vindouras. O Fundo Soberano é uma gestão pragmática das receitas do gás”, observou.

Moçambique tem reservas de gás natural estimadas em cerca de 270 triliões de metros cúbicos, cuja exploração vai arrancar nos próximos anos, o que obriga o país a preparar-se para o advento de volumes massivos de investimento, alguns dos quais já em curso, e para uma gestão criteriosa das receitas da atividade extrativa, segundo dados da Presidência moçambicana.

Na província de Cabo Delgado, decorrem construções da futura ‘cidade do gás’, um dos maiores investimentos privados de sempre em África, cujas previsões indicam que pode ascender a 50 mil milhões de dólares (mais de 45 mil milhões de euros).

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