“Os mercados estão lá, a procura existe e há possibilidade de negócio, mas o desenvolvimento de infraestruturas só surge quando há vontade política, e se os diferentes países tiverem vontade de o fazer, tudo acontece, porque quando há um negócio disponível e o apoio político, os resultados e as infraestruturas aparecem”, disse o presidente executivo da Angola Cables, durante o painel sobre o investimento e as oportunidades de negócio além-fronteiras na Comunidade de Desenvolvimento da África Austral.

“É preciso maior confiança entre os territórios para aligeirar as políticas de vistos e maior confiança para reduzir a forma como aplicamos a regra dos conteúdos locais, limitando a inter-conetividade, o que torna as economias mais caras”, acrescentou o presidente da consultora PwC, João Pereira Esteves.

O tema do comércio intrarregional em África, o lançamento da Zona de Livre Comércio Africano (African Free Trade Agreement, no original em inglês) e as potencialidades do aprofundamento da integração regional entre os países africanos foram alguns dos temas em destaque na sessão de hoje, que abordou as dificuldades de fazer negócios transfronteiriços em África.

“À vontade política e à ausência de infraestruturas, acrescentaria também o papel dos grupos de pressão sobre os decisores políticos para avançar na integração regional”, disse o presidente não executivo do Conselho de Administração da transportadora aérea angolana (TAAG), Hélder Preza.

“As câmaras de comércio, as associações industriais e outros organismos também podem exercer pressão para que as decisões que melhorem o ambiente económico e a dinâmica comercial sejam tomadas”, acrescentou o empresário.

Para o académico Fernando Costa Lima, a existência de recursos naturais nos países acaba por ser um dos entraves ao comércio entre países vizinhos africanos.

“Quando os recursos naturais são as principais produções e exportações é muito difícil criar comércio intrarregional, e se olharmos para os números, a maior parte do comércio é de produtos manufaturados e não exportações de recursos naturais, que vão para fora do continente”, referiu.

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