O ministro do Comércio e Indústria moçambicano considerou hoje que a entrada de investimento perspetiva uma melhoria do `rating` do país nos mercados financeiros.

“Com a assinatura do FDI (sigla inglesa para `decisão final de investimento`, relativa a um dos megaprojetos de gás) mais este compacto [linha de financiamento apoiada pelo Banco Africano de Desenvolvimento e Portugal], quero crer que o nosso `rating` internacional ainda vai subir”, referiu Ragendra de Sousa, em conferência de imprensa, em Maputo.

Na última semana, a agência de `rating` Fitch retirou Moçambique da lista de países em incumprimento financeiro, atribuindo-lhe uma notação de CCC, o terceiro pior nível de análise, no seguimento da reestruturação dos títulos de dívida soberana.

Hoje, o ministro do Comércio e Indústria moçambicano diz haver consciência de que o mercado de capitais “vai ser um pouco mais restritivo”, mas esse facto é bom para o próprio país.

“Queremos disciplina financeira, análise de projetos mais apurados e tudo isso é bom para os dois lados, para o país e para investidores”, referiu.

Questionado pela Lusa sobre a recomendação do Fundo Monetário Internacional (FMI) de que o financiamento de Moçambique “deve continuar a apoiar-se em donativos externos e empréstimos altamente concessionais, dado o elevado nível da dívida pública”, Ragendra de Sousa sugeriu um olhar atento ao mercado internacional de capitais.

A recomendação do FMI foi feita na quarta-feira, no final da visita de uma missão da organização ao país.

“O Japão é um grande mercado e a taxa de juro na economia japonesa anda perto do zero”, disse o governante, a título de exemplo.

Por outro lado, há “vários fundos de pensões que dependem da atratividade do próprio projeto” que lhes é apresentado, acrescentou, concluindo que “a procura e a oferta determinam a taxa de juro”.

“O FMI está a dar uma indicação: enquanto não atingirmos a sustentabilidade da dívida, que é um rácio que se atinge rapidamente, qualquer economista, aquele que deve ter nome de economista, não diploma de economista, sabe que esses cálculos são obrigatórios”, frisou.

Ragendra de Sousa sublinhou que, mesmo quando o rating de Moçambique estava ao nível mais baixo (ou seja, incumprimento), a decisão final de investimento para a exploração de gás na Área 1 foi assinada.

Assim, questiona: “quem faz melhor análise de risco?”.

Segundo o ministro, “entre um funcionário público, seja ele do Fundo Monetário Internacional (FMI), e um funcionário da Anadarko ou Total [petrolíferas], quem faz melhor análise de risco é o setor privado. Fez na devida altura e assinou” os investimentos na exploração de gás natural.

No mesmo dia em que melhorou o `rating` de Moçambique, a agência de notação financeira Fitch considerou que as opções de financiamento do país são limitadas e que um acordo com o FMI seria importante para garantir o acesso aos mercados financeiros.

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