O PSOE e o Unidas Podemos assinaram esta terça-feira um pré-acordo de governo de coligação, menos de 48 horas depois das eleições gerais. O acordo vai agora ser aberto a outras forças políticas, em busca de uma maioria parlamentar. O primeiro-ministro Pedro Sánchez garante que o novo executivo será “categoricamente progressista” e o acordo será para “quatro anos de legislatura”.

“Este acordo nasce com o propósito de se abrir a outras forças políticas para permitir uma maioria parlamentar estável e sustentável que permita a investidura e também a legislatura”, adiantou o líder socialista Pedro Sánchez numa conferência de imprensa após a assinatura do acordo entre PSOE e o Unidas Podemos, que terminou com um forte abraço entre Sánchez e Iglesias.

O PSOE obteve 120 deputados e o Unidas Podemos conseguiu 35. Juntos, têm 155 deputados. No parlamento espanhol, a maioria absoluta é conseguida com 176 parlamentares.

“Não há motivos para mais bloqueios. Apelamos à responsabilidade e generosidade de todas as forças políticas”, reforçou Sánchez, garantindo que o PSOE vai agora abrir uma ronda negocial com outros grupos parlamentares.

“O projeto político é tão emocionante que supera qualquer tipo de desencontro que tenhamos tido nos últimos meses”, afirmou o socialista. “Não haveria justificação para persistir o bloqueio. O nosso país precisa com urgência de um novo governo, o quanto antes”, disse, admitindo que as negociações fracassadas dos últimos meses criaram “deceção”.

Idêntica mensagem foi deixada pelo líder do Unidas Podemos, Pablo Iglesias. “É altura de deixar para trás qualquer ressentimento e trabalhar lado a lado para a tarefa histórica que temos pela frente”.

Os jornais espanhóis dão como certo que Pablo Iglesias será vice-presidente de um futuro executivo. Na conferência de imprensa sem direito a perguntas, nenhum dos dois líderes partidários falou sobre a distribuição de pastas. Ambos remeteram essa questão para mais tarde, se a investidura for consumada.

Sánchez colocou a tónica num governo “sólido”, realçando tratar-se de um “acordo para os quatro anos da legislatura, baseado na coligação, na lealdade e solidez do Governo”. “Será um executivo categoricamente progressista”, garantiu. “A única coisa que ficará de fora é o ódio e a confrontação entre espanhóis”, acrescentou.

Iglesias descreveu este como um “governo de coligação progressista” e uma “vacina contra a extrema-direita”. Exaltou o acordo e um executivo que “combina a experiência do PSOE e a valentia do Unidas Podemos, que trabalhe para o diálogo para enfrentar a crise territorial e pela justiça social”.

Dirigindo-se a Sánchez, Iglesias garantiu que “poderá contar com toda a nossa lealdade. Vamos dar o nosso melhor neste governo”. “É uma verdadeira honra poder trabalhar no governo do nosso país para melhorar a vida dos nossos compatriotas”, garantiu. Acordo em dez pontos

O pré-acordo está baseado em dez pontos, que para os dois partidos permitirão “colocar Espanha como uma referência na proteção dos direitos sociais na Europa, tal como os cidadão decidiram nas urnas”.

Entre esses pontos estão, por exemplo, a criação de emprego, combate à precariedade, apoio às pequenas e médias empresas, o combate à corrupção ou justiça fiscal.

No que toca à situação catalã, o acordo pretende “garantir a convivência na Catalunha” e a “normalização da vida política” através do diálogo, “procurando fórmulas de entendimento e acordo, sempre seguindo a Constituição”, ao mesmo tempo que preconiza um fortalecimento das autonomias para assegurar os serviços que estão nas suas competências.

No acordo cabe ainda a garantia de uma luta contra as alterações climáticas ou a aprovação de novos direitos como o direito a uma morte digna, à eutanásia ou uma aposta em políticas feministas.

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