Considerada uma das formações musicais mais profissionais da atualidade, os seus membros transformaram-se em arautos de uma vertente muito peculiar do semba, prolongando um exercício que conjuga uma base rítmica, inconfundivelmente angolana, aliada a uma forma moderna de conviver com o baixo elétrico, teclado e bateria, instrumentos de certa forma estranhos à estrutura tradicional do semba.

Excelente formação de acompanhamento, a Banda Maravilha interpreta, com reconhecida propriedade e criatividade, géneros canónicos da música internacional e explora diversas matizes do semba cadenciado, kazucuta e kabetula, inovando com acuidade, o que de melhor regista o passado musical angolano.

Tudo começou em 1993, com Carlitos Vieira Dias (guitarra), Moreira Filho (guitarra), Joãozinho Morgado (tumbas) e Kinito Trindade (baixo), a primeira seleção de músicos residentes do Restaurante Tambarino, em Luanda, formação que viria a dar corpo a atual Banda Maravilha. Na ausência de Moreira Filho e Joãozinho Morgado, integrados num projeto de caridade no Brasil, entram, em substituição, os instrumentistas Botto Trindade (guitarra) e Marito Furtado (bateria).

Em Abril do mesmo ano, o grupo fez parte da equipa do programa “Gentes e Tons”, da Televisão Pública de Angola, com Moreira Filho (baixo), Rufino Cipriano (teclas), Marito Furtado (bateria) e Joãozinho Morgado (tumbas). Daí foram as sucessivas temporadas nos Restaurantes Tambarino, Morabeza, sem Joãozinho Morgado e bares. Contencioso e Xavarotti, importantes momentos que contribuíram para a coesão da Banda Maravilha, uma marca distintiva do grupo, ao longo da sua existência.

Foi no programa “Gentes & Tons” da TPA, Televisão Pública de Angola, apresentado pelo cantor e compositor André Mingas que a produtora da TPA Delfina Feliciano, deu o nome pela primeira vez, à Banda Maravilha.

Mudanças

As mudanças, tomadas na sua aceção positiva, foram válidas para a evolução da estética da Banda Maravilha, fenómenos que deram azo a diferentes formas experimentais, num processo de reaproveitamento das propostas musicais das gerações mais jovens. Da saída e consequente entrada de novos elementos na banda, resultaram e vivenciaram-se novas posturas estéticas, conferindo ao produto final sintomas positivos dos efeitos das ruturas, sobretudo a nível da secção de cordas. Desde a fundação, passaram pela Banda Maravilha, Carlitos Vieira Dias (guitarra solo), Joãozinho Morgado (tumbas), Kinito Trindade (baixo), Carlos Venâncio (guitarra), João Oliveira (teclas), Botto Trindade (guitarra), Rufino Cipriano (teclas), Nelas do Som, (guitarra), Chico Santos (tumbas e voz), Pirica Duia (violão e voz). A formação atual da Banda Maravilha integra Moreira Filho (baixo e voz), Marito Furtado (bateria), Miqueias Ramiro (teclados e voz), Isaú Baptista (guitarra e voz), Divaldo Fica “FA”, (percussão e voz) e Djanira Mercedes voz.

Discografia

O primeiro disco da banda, “Angola Maravilha”, surgiu no mercado em 1997com o selo da RMS, numa altura em que a banda integrava, Carlitos Vieira Dias (guitarra solo e voz), Joãozinho Morgado (tumbas) e Rufino Cipriano (teclas). O segundo CD, “Semba Luanda” (2001), acusa uma alteração da sonoridade em relação ao primeiro CD, pela ausência da marca de Carlitos Vieira Dias e Rufino Cipriano. “Semba Luanda” rebusca o passado da música angolana, em dois momentos cintilantes, “Nguxi”,canção de Rosita Palma, imortalizada pela sua irmã, Belita Palma, e o clássico, “Sanzala”, do falecido Gildo Costa. Em Agosto de 2005, surgiu o terceiro CD, “Zungueira”, com 11 faixas, gravado sem metrónomo, aparelho que mede o compasso musical, facto que conferiu ao disco uma sonoridade natural e uma mais dilatada liberdade dos músicos na captação e execução. Gravado de Setembro a Outubro de 2009 nos estúdios da Rádio Vial, o quarto CD, “As nossas palmas”, contou com a participação especial do cantor Emílio Santiago, do Brasil, no tema “Volta por cima”, Tito Paris, Cabo Verde, na canção “Mussulo”, de Mimito, do Tabanka Jazz, Guiné-Bissau, “Sin Murri Gossi” e do cantor angolano Daniel Nascimento, no tema “Rosa Maria”. “A Maravilha e os Kambas” é o mais recente disco a ser lançado brevemente.

Biografia dos mais antigos

Joaquim Augusto Moreira Filho nasceu, no dia 2 de Julho de 1955, em Luanda, e começou a carreira musical, no princípio dos anos 1970, em Ndalatando, Cuanza-Norte, no “My dreams” e “The pop kings”, duas formações pop-rok, denominados “Conjuntos de Música Moderna”, como guitarrista.

Marito Furtado. Aberto às várias tendências e estilos da música internacional, entende a música na sua constante evolução e mobilidade. Mário José Furtado Correia da Cruz nasceu, em 3 de Abril de 1964, em Luanda, e está, por mérito próprio, na vanguarda dos bateristas angolanos.

Miqueias Tomé Ramiro nasceu, em 2 de Agosto de 1976, e começou a carreira na “Banda Carinhosa” (1995), formação que tinha como principal vocal o cantor e compositor Dionísio Rocha.

Isaú Aires de Morais Baptista nasceu, em 8 de Julho de 1985, em Luanda, e passou a integrar a Banda Maravilha, por mérito próprio, em Janeiro de 2008. Músico aberto a inovações, começou com os The Power’s (2004), uma banda de reggae, como guitarrista solo.

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