Nina Maria Fite falava aos jornalistas após o Presidente angolano, João Lourenço, ter recebido hoje, numa audiência em Luanda, uma delegação de funcionários seniores da Reserva Federal dos Estados Unidos, em que a questão foi analisada.

A delegação da Reserva Federal norte-americana, que chegou na terça-feira à capital angolana, é integrada pelo vice-presidente e chefe dos Assuntos Internacionais e Estratégicos deste órgão, pelos diretores dos Serviços de Contas de Clientes e de Contas Internacionais, bem como por gestores de relacionamento no banco central e no departamento de contas internacionais para a região de África e Médio Oriente.

À saída do encontro, Nina Fite falou aos jornalistas, realçando que “não existe ainda uma data” para que os bancos norte-americanos voltem a manter correspondência com os angolanos.

“O Governo, bem como o mercado, está a acompanhar todas as reformas e também as reformas do Presidente João Lourenço, bem como o trabalho do banco central e do Ministério das Finanças, para fortalecer o ‘compliance’ dos bancos privados aqui. Tudo isso contribui para a situação em que os bancos um dia voltem”, disse a embaixadora, que também assistiu ao encontro.

Segundo Nina Maria Fite, a visita da Reserva Federal faz parte das consultas regulares que o banco central norte-americano faz com congéneres em todo o mundo.

“A visita está a correr muito bem, porque dá uma oportunidade para o nosso banco central aprofundar e fortalecer os laços que existem entre o nosso banco e o banco central de Angola. Tudo isso continua a fazer parte da situação para que os bancos correspondentes um dia voltem para Angola”, vincou.

A diplomata realçou a importância de “colaboração entre o banco central, o Ministério das Finanças, a Unidade de Informação Financeira e bancos privados”.

A visita da delegação sénior da Reserva Federal dos EUA tinha sido anunciada há duas semanas pelo governador do Banco Nacional de Angola (BNA), José de Lima Massano, que considerou, na altura, “superada na generalidade” a problemática da correspondência bancária.

Segundo o governador do BNA, os desafios ainda se colocam, mas a banca comercial angolana segue “à risca” as instruções do banco central.

“Os nossos bancos, com os canais que têm de pagamentos, têm conseguido executar as instruções para um setor em que a moeda é o dólar dos Estados Unidos”, disse.

Angola enfrenta há vários anos dificuldades financeiras, económicas e cambiais, tendo o BNA vindo a garantir a venda de divisas (euros) à banca comercial angolana, que está sem acesso a dólares face à suspensão das ligações com correspondentes bancários internacionais.

José de Lima Massano recordou que em 2015 e 2016 “alguns correspondentes bancários”, em dólares, acabaram por terminar a relação com o mercado angolano, mas, observou, “essa relação tem vindo a ser recuperada”.

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