A reunião com o primeiro-ministro, um dos seis coordenadores designados para conduzir as negociações sobre a escolha dos mais importantes cargos da UE, acontecerá um dia depois de Tusk ser recebido em Madrid pelo presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez.

No mesmo dia, António Costa desloca-se a Bruxelas para um jantar com os outros cinco negociadores das três maiores famílias políticas europeias para prosseguir o debate, onde, além de Costa e Sánchez, coordenadores dos socialistas europeus nas negociações, estarão presentes os primeiros-ministros belga, Charles Michel, e holandês, Mark Rutte, coordenadores da Aliança dos Liberais e Democratas pela Europa (ALDE), e os primeiros-ministros croata, Andrej Plenkovic, e letão, Krisjanis Karins, negociadores do Partido Popular Europeu (PPE).

As negociações em causa antecipam-se complexas, dada a maior fragmentação do Parlamento Europeu, uma vez que, pela primeira vez, PPE e Socialistas & Democratas (S&D) juntos não alcançam a maioria absoluta.

A grande dúvida reside na adesão do Conselho Europeu ao modelo “Spitzenkandidat” e saber se os líderes europeus irão propor para a presidência da Comissão Europeia um dos candidatos principais apresentados pelas diferentes famílias políticas nas eleições deste ano. A Conferência de Presidentes do Parlamento Europeu insistiu que o Conselho deve respeitar o princípio do modelo, utilizando como argumento a taxa de participação nestas eleições (50,82%, a mais elevada dos últimos 20 anos) e a legitimação democrática.

No entanto, o Conselho Europeu tem vindo a recordar que, apesar de ter seguido esse modelo em 2014 – o que resultou na designação de Jean-Claude Juncker como sucessor de Durão Barroso -, de acordo com os Tratados, cabe a esta instituição propor um nome para a presidência da Comissão, tendo em conta os resultados das eleições europeias, mas sublinhando que não há nenhum mecanismo automático de designação do “Spitzenkandidat” do partido mais votado, pelo que tudo dependerá agora das alianças que se formarem.

O Conselho Europeu, presidido por Donald Tusk, deverá tomar uma decisão final na cimeira de 20 e 21 de junho, podendo o futuro presidente da Comissão ser eleito pelo “novo” Parlamento Europeu no mês seguinte.

Donald Tusk está em processo de consultas com os chefes de Estado e de Governo dos 28, tendo previstas visitas a várias capitais europeias para conhecer a posição de cada um dos governantes.

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