Valter Filipe, que voltou a ser ouvido ontem, afirmou que não teve nenhum benefício com a transferência dos 500 milhões de dólares. “ Nessa operação de transferência não recebi dinheiro, nem a título de crédito, nem outro qualquer benefício” disse Valter Filipe, durante a audiência.

O réu disse, igualmente, que foi ameaçado de morte em três ocasiões distintas, uma das quais há três meses, após regressar de Londres, e as outras recentemente.

Na véspera, o ex-governador do BNA já tinha acusado o ex-ministro das Finanças, Archer Mangueira, de ter entregue à PGR um memorando que está a servir de base principal da acusação no presente julgamento do caso “Transferência dos 500 milhões de dólares”.

Valter Filipe prestou, ontem, o último depoimento, na fase de produção de provas do julgamento em curso, num clima de choros, subida de tensão arterial e perda de fôlego. “Peço a este tribunal que a minha vida está em risco. Não conheço a pessoa que está a fazer isso. Nesse processo eu sou apenas capim”, declarou.

Em resposta, o juiz presidente da sessão, João Pitra, disse ao réu que, enquanto jurista de profissão, sabe dos procedimentos nessas circunstâncias, que passam por comunicar à Polícia Nacional. O seu advogado, Sérgio Raimundo, alertou que face à denúncia e cumprindo o princípio da legalidade, por ser um crime público, o Ministério Público deve tomar providenciais da situação. Depois, a sessão foi interrompida para o réu ser medicado, uma vez que estariam a subir os seus níveis de tensão arterial (sofre de cardiopatia).

Retoma a 14 de Janeiro

Após a fase de audiência dos quatro réus envolvidos no processo da transferência dos 500 milhões de dólares, o tribunal deu ontem por encerrada a audição dos arguidos nesta fase de produção de provas . Deliberou a retoma da sessão de julgamento a 14 de Janeiro, com a audição das três testemunhas e 12 declarantes. De acordo com o juiz João Pitra, nessa altura será possível já ter o resultado do questionário enviado pelo Tribunal Supremo ao ex-Presidente da República, José Eduardo dos Santos, arrolado no processo, a pedido do advogado da defesa do réu Valter Filipe.

O processo envolve, além de Valter Filipe, José Filomeno dos Santos, antigo presidente do Conselho de Administração do Fundo Soberano de Angola, Jorge Gaudens Pontes, empresário, e António Samalia Bule, ex-diretor do Departamento de Gestão de Reservas do BNA. Os quatro réus respondem na Câmara Criminal do Tribunal Supremo por uma alegada transferência ilegal de 500 milhões de dólares do BNA para uma conta no Crédit Suisse de Londres, Inglaterra.

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