O congresso para encontrar o novo líder do partido está marcado para 30 de março e Agostinho Fernandes, que foi ministro com a pasta da Economia no anterior governo liderado pelo ADI, do primeiro-ministro Patrice Trovoada, defendeu, na apresentação pública da sua candidatura, em São Tomé, que o partido tem de “perceber” o que os cidadãos são-tomenses não toleram, como “reconhecer as estratégias que funcionaram e as que falharam”.

Nesse sentido, Agostinho Fernandes defendeu a necessidade de o partido ser capaz “de mudar o que tem que ser mudado e continuar a avançar”.

“Com lucidez e sentido de responsabilidade, nós, militantes e dirigentes do ADI, temos que ser capazes de, em união e companheirismo, fazer um claro diagnóstico e avaliação das nossas forças e fraquezas, saber aquilo que os nossos militantes e o povo são-tomense esperam realmente de nós como partido”, disse Agostinho Fernandes.

Ausente do país, o ex-primeiro-ministro são-tomense Patrice Trovoada ainda não se pronunciou sobre se é candidato à liderança do ADI, partido que após as eleições de 2018 cedeu o poder no país ao Governo liderado pelo MLSTP-PSD (Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe – Partido Social Democrata).

Na cerimónia desta tarde, na presença de vários ex-ministros do anterior governo, do ex-secretário-geral do partido, Levy Nazaré, e de outros quadros do ADI, Agostinho Fernandes defendeu o reforço da coesão interna, da democracia e do diálogo como linhas mestras do seu projeto de liderança.

“Os militantes e dirigentes que dão suporte político à minha candidatura querem um ADI para são Tomé e Príncipe mais aberto, mais inclusivo, mais democrático, mais organizado, mais participativo e com uma agenda política de médio e longo prazo, conhecida de todos”, frisou.

“Enquanto militantes do partido, têm a exata noção do direito inalienável que lhes assiste de saber e de escolher para onde vão e para o que vão”, explicou Agostinho Fernandes.

O candidato lamentou as opiniões e posições “daqueles militantes e dirigentes que não abraçam as opções sustentadas” pela sua candidatura a liderança do partido e criticou as “tentativas irresponsáveis de se alimentar fações no interior do ADI, fragilizando ainda mais a sua unidade e coesão interna”.

Num discurso de 10 páginas várias vezes interrompido por aplausos, Agostinho Fernandes afirmou que o seu partido “tem obrigação de ser parte da solução”, tendo apelado para tal a uma “mudança de mentalidade e de comportamento”, não só no partido, mas de toda a sociedade.

Para o candidato à liderança do ADI, a grande prioridade é a solução dos problemas económicos.

“Ao invés das lutas estéreis pelo poder, os partidos políticos precisam de entender urgentemente sobre uma agenda económica para São Tomé e Príncipe, pois o nosso verdadeiro problema não é político, mas sim económico”, explicou.

“Enquanto o acesso ao poder, mais concretamente o executivo, continuar a representar aos olhos da elite política são-tomense e os seus subsidiários a via mais fácil para ter acesso aos recursos financeiros, corremos o risco de não ultrapassar a crispação reinante na política nacional e as suas consequências nefastas para o desenvolvimento do nosso país”, acrescentou.

Para Agostinho Fernandes, o congresso do dia 30 deste mês só será uma oportunidade se o partido for capaz de promover uma verdadeira reforma interna, tendo deixado alguns recados: “todos continuamos a ser precisos porque todos sempre fomos precisos”.

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