Numa nota de pesar, aprovada numa reunião extraordinária hoje do Conselho de Ministros, o executivo timorense elogia a “muito distinta capacidade diplomática” de Habibie e recorda que o ex-Presidente indonésio enviou um pedido ao secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, em 27 de janeiro de 1999, permitindo a realização de um referendo em Timor-Leste, “através do qual se viabilizou o exercício do direito de autodeterminação do povo timorense que, por larga maioria, decidiu pela independência” do país.

Na nota, o Governo timorense manifesta “grande pesar” pela morte de Habibie e apresenta as suas “sentidas condolências” à família do ex-chefe de Estado, “associando-se à sua dor”, num momento de “grande consternação para o povo da Indonésia”.

Segundo o comunicado do Conselho de Ministros, o voto de pesar será entregue à família de Habibie pelo ex-Presidente timorense Xanana Gusmão.

Habibie morreu na quarta-feira aos 83 anos num hospital de Jacarta, onde tinha sido internado no início do mês com problemas cardíacos.

O antigo Presidente foi escolhido para liderar a Indonésia depois da queda do regime do ditador militar Suharto (1967-1998), inaugurando uma série de reformas que conduziram o país à democracia.

Ficou ainda conhecido internacionalmente por ter permitido um referendo que escolheu por larga maioria a independência de Timor-Leste, em 1999, num sufrágio livre e democrático, apesar de a decisão da retirada das tropas indonésias ter conduzido a antiga colónia portuguesa, nesse mesmo ano, a uma crise política e social, na antecâmara de se proclamar um Estado independente.

Habibie nasceu na cidade de Parepare, na ilha de Celebes, e foi o terceiro presidente desde a independência da Indonésia (1945), substituindo Suharto e promovendo reformas sociais, políticas e económicas que abriram o caminho para a recuperação após a crise financeira asiática de 1997.

Engenheiro aeronáutico com mais de 40 patentes registadas, emigrou para a Alemanha aos 19 anos, onde 10 anos depois completou um doutoramento em engenharia e trabalhou para a empresa aeroespacial alemã Messerschmitt-Bolkow-Blohm (MBB), que fazia parte do consórcio da Airbus.

A carreira política de Habibie começou em 1974, como consultor de Suharto, amigo de família desde a década de 1950, tendo em 1978 renunciado ao seu emprego na Alemanha e aceitado o cargo de ministro da Tecnologia e Investigação, lançando vários projetos para aumentar a capacidade tecnológica da Indonésia.

Em 1990, quando Suharto começou a abrandar a sua política repressiva e a aproximar-se do Islão, fundou a Associação Indonésia de Muçulmanos Intelectuais, num país onde 88% dos 265 milhões de habitantes eram muçulmanos.

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