A notícia é avançada pela Bloomberg, que indica que “centenas” de pessoas externas à empresa foram contratadas para ouvir e transcrever ficheiros de áudio, sem indicação de onde tinham sido obtidos. À agência, estas fontes explicam que ouvem as conversas, mas que a rede social não comunica às pessoas contratadas a origem dos ficheiros ou algum tipo de fim para a transcrição.

O Facebook já confirmou que recorre a este tipo de soluções, mas que irá parar de contratar este tipo de serviços. Em resposta à Bloomberg, a empresa de Mark Zuckerberg justifica o abandono desta solução devido ao escrutínio crescente que tem sido feito às grandes tecnológicas. “Tal como a Apple ou a Google, decidimos fazer uma pausa na análise de áudios há mais de uma semana”, explicou a empresa. O Facebook justifica que terá contratado estas pessoas para perceber se a inteligência artificial desenvolvida pela empresa conseguia efetivamente interpretar as conversas – mas indica ainda que os dados eram anónimos. Além disso, é ainda apontado que “os utilizadores tinham escolhido nas definições do Messenger a opção de ter as mensagens de áudio transcritas”.

A reportagem da Bloomberg indica que, muitas das pessoas que transcrevem estas conversas acusam o Facebook de “práticas anti-éticas”, já que não estariam a deixar a indicação clara ao utilizador de que as conversas podiam estar a ser escrutinadas por empresas externas.

A agência afirma que uma das empresas que estará a prestar este tipo de serviços à rede social é a TaskUs, uma empresa de outsourcing nascida na Califórnia, que divide trabalho por vários pontos do globo. A TaskUs tem o Facebook como um dos principais clientes e, entretanto, também já confirmou que a rede social decidiu interromper os projetos de análise de áudio.

O Facebook não é caso único na contratação de empresas externas para analisar áudio: a mais recente descoberta do género está ligada à Google, que também recorreu a empresas externas para ouvir as conversas mantidas com o Google Assistant. Também a Amazon ou a Apple recorrem a este tipo de práticas, com a justificação da melhoria dos serviços das assistentes digitais Alexa e Siri, respetivamente.

Tanto a Apple como a Google vieram a público indicar que vão deixar de recorrer a estas práticas. Por seu turno, a Amazon indica que permitirá aos utilizadores decidirem se pretendem ou não participar em programas do género.

A notícia de que também as mensagens de áudio do Messenger são ouvidas e transcritas chega pouco tempo depois da aplicação de cinco mil milhões de dólares ao Facebook, na sequência do caso Cambridge Analytica. Além do valor da coima, a penalização envolve também a introdução de pessoas em representação da FTC nas decisões de novos produtos do Facebook, para garantir algum tipo de supervisão na área da privacidade.

Publicidade