O apoio está previsto num protocolo, assinado hoje pelo ministro da Agricultura e Ambiente cabo-verdiano, Gilberto Silva, e pela coordenadora residente das Nações Unidas em Cabo Verde, Ana Patrícia Graça, que esteve em representação da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).

O projeto “Reforço da capacidade de adaptação e resiliência do setor florestal de Cabo Verde” terá a duração de dois anos, período durante a qual serão realizadas várias atividades no país, como formação ao nível das instituições e das comunidades locais, ajudando-as a desenvolver técnicas para melhor gerir as zonas florestais.

O ministro indicou que serão realizadas “atividades concretas” para reforço das capacidades das populações em gerir a problemática da invasão das acácias e dos plásticos, correção das zonas que tendem a ficar desertificadas dentro dos povoados florestais, e introdução e reforço das espécies nativas que possam ser muito mais resilientes aos efeitos das mudanças climáticas.

Gilberto Silva indicou que o projeto irá focar as suas intervenções em três ilhas – Santiago, Fogo e Boavista -, mas também poderá beneficiar indiretamente o Planalto Leste de Santo Antão, zona que tem sido bastante fustigada por incêndios.

O último grande incêndio nessa região foi em julho, ateado por um homem, que está em prisão preventiva, e que consumiu cerca de 200 hectares e 13% do total da floresta, que é considerada o “pulmão” daquela ilha do norte do país.

“Estamos a falar de reforço das capacidades das instituições, e ao reforçarmos as capacidades das instituições teremos esta capacidade também a ser aproveitada nas e para outras ilhas”, esclareceu Gilberto Silva, lembrando que o Governo aprovou uma resolução para que a recuperação do Planalto Leste fosse integrada no Fundo do Ambiente.

“Mas os trabalhos que irão ser desenvolvidos lá podem perfeitamente beber da experiência que este projeto vai trazer, somando-se às outras experiências que os serviços já têm”, reforçou.

Gilberto Silva disse que o projeto vem complementar outro financiado por vários doadores da União Europeia, para adaptação às mudanças climáticas e todos os outros fatores que se interligam com os seus efeitos, que já são uma realidade em Cabo Verde.

O ministro referiu ainda que vai ajudar a criar melhores condições nas instituições e nas comunidades e a implementar as medidas do projeto maior do país, que é o Plano Estratégico de Desenvolvimento Sustentável, que adota medidas para gerir melhor os perímetros arborizados.

“Em Cabo Verde as áreas arborizadas não existiam. São áreas que foram criadas pelo homem, e se assim é, é fundamente que o homem também desenvolva técnicas, tenha capacidade de fazer toda a sua gestão ao longo dos tempos, enfrentando as vicissitudes do clima”, mostrou.

Tanto o ministro como a representante da FAO consideraram que o projeto vai também ajudar Cabo Verde a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), no que diz respeito ao combate às alterações climáticas, resiliência da terra, das florestas, dos ecossistemas e combate à desertificação.

“Este projeto enquadra-se na estratégia preventiva de garantir a sustentabilidade dos serviços ecossistémicos e melhor enfrentar a ameaça da desertificação oriunda das alterações climáticas. Tem o grande objetivo de trabalhar com o Governo para promover a agricultura, a segurança alimentar e a resiliência agrícola”, mostrou Ana Patrícia Graça.

A representante da FAO afirmou que com o projeto pretende-se ainda alcançar dois grandes resultados, nomeadamente o aumento da área de cobertura florestal, com espécies nativas, e a adoção de boas práticas de gestão florestal e agroflorestal.

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